Política

Usar Artuzi na campanha é oportunismo, acusam aliados do ex-prefeito

Morto em 2013, Artuzi tem imagem utilizada nessa campanha

Midiamax Publicado em 21/09/2016, às 17h38 - Atualizado em 18/07/2020, às 00h37

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Morto em 2013, Artuzi tem imagem utilizada nessa campanha

Quem conviveu de perto com Ari Artuzi e hoje assiste ao uso da imagem do ex-prefeito na campanha eleitoral deste ano em Dourados acusa oportunismo. Morto em agosto de 2013 vítima de um câncer de intestino, ele administrou o município distante 228 quilômetros de Campo Grande de 1º e janeiro de 2009 a 1º de dezembro de 2010, quando renunciou na carceragem da Polícia Federal, preso em decorrência da Operação Uragano. Agora, tem sido associado tanto na busca por apoio quanto para ataques ao deputado federal Geraldo Resende (PSDB), um dos cinco postulantes a comandar o Executivo.

Na propaganda eleitoral gratuita veiculada dia 2 de setembro, o tucano exibiu uma entrevista com a filha de Ari, a estudante Juliana Freitas Artuzi, de 21 anos. Nessa ocasião, a jovem lembrou o legado do pai, um fenômeno de popularidade até hoje lembrado com carinho, sobretudo nas periferias, e decretou: “Geraldo, eu to morando longe mas eu sei cada detalhe que acontece em Dourados, cada coisa boa que acontece, e onde meu pai estiver ele está torcendo pela mesma pessoa que eu to torcendo que é você (sic)”.

REPERCUSSÃO NEGATIVA

A repercussão foi imediata, principalmente porque numa rápida pesquisa ao histórico de reportagens publicadas quando Artuzi era vivo, é possível encontrar dezenas de declarações nada amistosas. Eram frequentes as trocas de farpas entre o ex-prefeito e o agora candidato Geraldo Resende.

Nesta semana, a situação foi agravada quando as redes sociais passaram a ser meio de divulgação de um vídeo de 28 segundos em que Artuzi declara que Geraldo Resende ia com frequência à prefeitura pedir 10% do valor das obras executadas em Dourados.

ÁGUA E ÓLEO

“Esse vídeo ele fez especialmente pra isso. Fez uma semana antes de morrer. Quis abrir o bico”, esclarece um ex-assessor próximo de Artuzi, que falou ao Jornal Midiamax sob a condição do anonimato. “Convivi diretamente com ele durante dois anos, desde antes de ele entrar na prefeitura, na campanha, até o dia da operação [Uragano, desencadeada na manhã do dia 1º de setembro de 2010]”, informa.

Para esse ex-assessor, “de jeito nenhum o Ari apoiaria o Geraldo”. “Do jeito que eu conheci ele e o que conversávamos sobre o Geraldo Resende, seriam como água e óleo, não se misturavam. Tanto que projetos do Geraldo eram barrados na prefeitura. Não tinham relação, nem pessoal, nem política, não subiam no mesmo palanque”.

OPORTUNISMO

Já Carlos Roberto Assis Bernardes, o Carlinhos Cantor, vice-prefeito na gestão Artuzi, avalia que qualquer uso da imagem do ex-prefeito neste momento eleitoral é oportunista. “Qualquer uso de exposição do Ari, que não está aí para se defender, seria oportunismo de qualquer um. As pessoas, entes queridos que realmente gostam dele, gostam de lembrar das coisas boas que ele fez. Não tenho vergonha nenhuma de ter sido vice dele. Eu lembro as coisas boas que ele fez”, destacou.

Sobre a relação entre Artuzi e Geraldo, o vice – que foi preso na mesma operação policial e também renunciou naquela ocasião – evita opinar. “Minha relação era mais institucional, cargo de vice não dá essa condição de participar de outras relações administrativas, se eu fizesse qualquer ilação seria leviano”, enfatizou.

POLÍTICA SÓRDIDA

Procurado, Geraldo Resende deixou claro o desconforto com esse assunto. “Primeiro, eu não vi crítica nenhuma porque estou cuidando da minha campanha que é em cima de propostas. Esse vídeo [com a filha de Artuzi] diz respeito às famílias douradenses. Os adversários tentam arrumar factoides, tentam nos desconstruir, mas eu não vou dar espaço para essa política sórdida. Já até orientei minha equipe a não trazer nenhum desses tipos de argumentos, porque minha candidatura tem o respaldo da população de Dourados. Acho que a própria imprensa não devia prestar esse desserviço com este tipo de podridão política. Tem focar em quem tem mais proposta, mais conteúdo, em quem é mais preparado para tirar a saúde dessa UTI que está. Focar em quem vai trazer pavimentação, drenagem, educação de qualidade para nossa cidade, educação, cultura, esporte, lazer pra nossa gente”, desabafou.

Sobre o vídeo recentemente divulgado nas redes sociais, em que Artuzi o acusava de pedir porcentagem no pagamento de obras, mas uma vez o tucano rebate. “Isso é coisa de quem aproveita um moribundo e mostra até onde vai a miudeza dos adversários. Todo mundo sabe que fizeram essa gravação de forma conduzida. Foi um desafeto político que colocou palavras na boca dele. Eu sempre respeitei o Artuzi como líder popular, mas sempre fomos adversários”, diz. “Não achava que ele estava preparado para o desafio de administrar a cidade. Nunca o encontrei e nunca fui à prefeitura. Enquanto outros bajulavam, eu era adversário. Essa gravação tem interesse menores. É política que cheira a naftalina, todo mundo sabe que meu maior patrimônio é minha lisura, tanto que faço parte da frente parlamentar de combate à corrupção. Esse vídeo foi feio com o moribundo no leito da morte, ele não estava em condições de consciência de falar. Estão querendo desenterrar defunto porque minha vitória vai ser acachapante. Essa aí é a velha política que cria factoides e acho que os meios de comunicação não devem dar espaços a essas práticas”, completou, demonstrando perda de paciência.

Veja o vídeo.

Jornal Midiamax