Política

Protestos pró e contra governo ocorrem em dez estados

8 mil pessoas se reuniram na Esplanada 

Diego Alves Publicado em 18/03/2016, às 00h51

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8 mil pessoas se reuniram na Esplanada 

Manifestantes pró e contra o governo Dilma Rousseff entraram em confronto com forças policiais nesta quinta-feira em Brasília. Em São Paulo, a Avenida Paulista continuou ocupada em protesto contra a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Casa Civil e também contra a presidente. Além de São Paulo e do Distrito Federal, oito estados registraram protestos, segundo o G1. No Amapá, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, os manifestantes pediram o impeachment. Nos estados do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Sul, houve protestos pró-Dilma e Lula.

Em Brasília, durante a noite, o protesto foi marcado por brigas e tumultos. Manifestantes jogaram rojões nos policiais militares que faziam a guarda do Palácio do Planalto, e eles revidaram com jatos de gás lacrimogêneo. Os organizadores da manifestação contra Dilma alegaram que as ações foram fruto de militantes petistas "infiltrados".

Durante a confusão, a PM imobilizou e levou um homem para uma viatura a fim de evitar que ele fosse espancado ao ser cercado por manifestantes.

— Essa mulher desse carro de som está incitando a violência. Fui lá para falar para não fazer isso — afirmou Guilherme de Brito. — Estamos todos juntos. A polícia me ajudou, me tirou.

Segundo a PM, cerca de 8 mil pessoas se reuniram à noite na Esplanada em protesto contra o governo. Os manifestantes carregavam faixas em defesa do juiz Sérgio Moro e da Polícia Federal e contra o ex-presidente. Representantes da Associação dos Delegados da Polícia Federal distribuíram aos manifestantes cartazes em apoio à PEC que garante autonomia à instituição, hoje ligada ao Ministério da Justiça.

Já um grupo de amigos de Goiânia levou um boneco Pixuleco para a manifestação. João Paulo de Castro, de 27 anos, estudante de Direito, disse que o inflável custou R$ 8 mil, custeados parte por uma "vaquinha" entre amigos e parte pelo deputado federal Alexandre Baldy (PTN-SP).

— Mas eu não tenho nada a ver com partido político. Sou apenas um cidadão indignado. Vamos voltar nos próximos dias com o Pixuleco para Brasília, que todo o simbolismo por ser a sede do governo — disse ele, que foi para a capital de carro com mais três amigos.

Mais cedo, um grupo de manifestantes contra o governo furou o bloqueio e jogou rojões e garrafas plásticas contra os policiais. O pelotão de cavalaria da PM fez um bloqueio e disparou gás de pimenta.

A Polícia Legislativa do Senado deteve três manifestantes, por desacato, flagrados jogando objetos contra os policiais. Eles assinaram termo circunstanciado, para responder ao processo em liberdade. Um homem foi preso por desobediência e resistência. Houve também alguns feridos, segundo a PM, mas a corporação não contabilizou os casos.

No Rio, manifestantes contrários ao ex-presidente Lula reuniram-se à tarde na Cinelândia e seguiram pelo Centro, interditando algumas ruas. A passeata seguiu em direção a Copacabana, passando pela Praia de Botafogo. Segundo policiais militares do 2º BPM (Botafogo), cerca de 50 pessoas participaram da passeata nesta noite. Também houve registro de panelaços nos bairros do Leme, Copacabana, Humaitá e Leblon.

Na avenida Paulista, em São Paulo, os manifestantes comemoraram a suspensão da nomeação de Lula ao ministério da Casa Civil com gritos de "Lula, ladrão, seu lugar é na prisão" e "o povo unido jamais será vencido". Houve um princípio de tumulto. Um manifestante vestido de vermelho foi agredido. Um casal que foi tentar apartar a briga apanhou e foi levado por policiais.

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, estava acompanhando os protestos. Ele foi vaiado e precisou ser escoltado pela polícia. Moraes pediu que os manifestantes deixem a Avenida Paulista até a tarde de hoje por conta do ato convocado pelo PT e pelas organizações de esquerda amanhã. Segundo o secretário, as outras manifestações já estavam previamente marcadas.

O protesto na Paulista começou na noite de quarta-feira e reuniu 5 mil pessoas, segundo a Polícia Militar. Na manhã desta quinta-feira, um grupo de cerca de 100 pessoas ocupou a via. Eles gritavam palavras de ordem contra o líder petista, como "1,2,3 Lula no xadrez" e "não vai ter posse", além de pedirem a saída da presidente Dilma Rousseff e declarar apoio ao juiz Sérgio Moro. A maioria estava enrolada em bandeiras do Brasil e batiam panela.

A Polícia Militar está presente no local e negocia com os manifestantes a liberação de uma faixa para a passagem de ônibus. Houve bate-boca entre os manifestantes quando começaram os gritos de intervenção militar. A aposentada Maria Eugênia de Assis, de 70 anos, reagiu contra o pedido.

— Eu vivi a ditadura militar e sei bem o que é isso. Eu quero democracia, liberdade e justiça — disse emocionada.

Um outro manifestante que se identificou apenas como “Bronze” passou a madrugada toda protestando na avenida.

— Nós vamos tirar cada um que estiver lá começando pela rainha — disse, referindo-se a presidente Dilma.

Em São Bernardo do Campo, no Grande ABC, um grupo de sindicalistas passou a noite em frente ao prédio onde mora o ex-presidente Lula. A Polícia Militar informou que 700 pessoas participam do protesto.

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Jornal Midiamax