Política

Para dom Dimas, CPI usa Cimi como ‘bode expiatório’

Ele se reuniu com manifestantes hoje pela manhã

Jessica Benitez Publicado em 25/09/2015, às 21h27

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Ele se reuniu com manifestantes hoje pela manhã

O arcebispo de Campo Grande dom Dimas Lara diz acreditar que a criação da CPI (Comissão parlamentar de Inquérito) para investigar a participação do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) no conflito entre indígena e ruralistas no Estado serve somente para deixar o real problema em segundo plano. A afirmação foi feita na manhã desta sexta-feira (25) durante encontro com cerca de 30 representantes de movimentos sociais, sindicais e populares na Cúria Diocesana.

“A demarcação é a questão principal. Concordo com a indenização dos fazendeiros, mas a CPI do CIMI é para usar o Conselho como ‘bode expiatório’ e desviar o assunto sobre os territórios indígenas”, disse. O grupo prestou solidariedade ao Cimi justamente por conta da comissão.

Além disso, eles são favoráveis à criação da CPI do genocídio para investigar a morte de 390 indígenas em 12 anos de conflitos de terra no Estado. O arcebispo se mostrou preocupado também com a atual situação dos índios. “A preocupação maior é com relação à situação de miséria e insegurança em que vive a população indígena”.

Ele prometeu dar mais atenção à situação e culpou os governos pelo caos provocado pela demora em demarcar a terra. “Tenho feito o esforço de diálogo. É importante que o Estado retome as negociações, embora saibamos que a responsabilidade é, sobretudo, do governo federal. Em determinados momentos há também uma responsabilidade do governo estadual com relação a questões, como saúde e segurança, por exemplo”, ressalta.

Confusão – Na Assembleia Legislativa as CPIs nem começaram, mas já causaram desentendimento e supostas agressões físicas. Ontem, durante sessão na Casa de Leis, a deputada estadual e proponente da CPI do Cimi, Mara Caseiro (PTdoB) discutiu com manifestantes ligados aos indígenas, após ser xingada por alguns deles. Os ânimos ficaram bastante exaltados e depois que o expediente no parlamento acabou o impasse continuou fora da Casa de Leis.

O advogado Rogério Batalha estava em meio aos manifestantes e alega ter sido agredido por integrante da segurança da Assembleia Legislativa com uma ‘chave de braço’ e a mando de Mara.  Por outro lado, a assessora de imprensa da parlamentar postou no Facebook foto de uma das mãos avermelhada. Ela alega ter sido agredida pelos manifestante quando estava filmando a confusão e registrou Boletim de Ocorrência para documentar o fato. O Legislativo deve abrir procedimento interno para apurar o caso.

Jornal Midiamax