Política

Base se organiza para comandar CPI da Enersul e deixa Marquinhos ‘de fora’

Paulo Corrêa e Beto Pereira querem assumir direção da CPI e deixar denunciante fora da diretoria

Ludyney Moura Publicado em 01/04/2015, às 18h02

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Paulo Corrêa e Beto Pereira querem assumir direção da CPI e deixar denunciante fora da diretoria

Está marcada para a próxima terça-feira (7) a primeira reunião da CPI da Enersul na Assembleia Legislativa. A previsão é que os deputados elejam a presidência e, por sua vez, seja indicado o relator dos trabalhos. A reunião deve confirmar Paulo Corrêa (PR) como presidente da CPI. Mesmo contrariado, Marquinhos Trad (PMDB), o proponente da investigação, admitiu nesta quarta-feira (1º) que dificilmente comandará a comissão.

E mais: o peemedebista indica, até, a possibilidade de ficar sem a relatoria. “Nunca vi uma CPI não ser presidida por quem a propõe, não sei qual a justificativa par não nos deixar ser presidente ou relator”.

Corrêa, oficialmente, diz ainda ser cedo para dar a vitória como certa. Beto Pereira (PDT), o segundo do bloco parlamentar indicado para a CPI, já declarou apoio ao colega do PR e disse que todos os demais integrantes têm interesse na relatoria.

“Já tem muita gente brigando de foice e machadinha pela presidência”, pondera Pedro Kemp (PT). Ele evitou dizer quem apoiará para o cargo e disse não estar “pleiteando nada” em relação à relatoria, mas quer “participar ativamente” da CPI.

O anúncio da primeira reunião da CPI da Enersul foi feita por Onevan de Matos (PSDB). Como mais velho do time, ele tem a incumbência regimental de marcar o início das atividades.

A ascensão do ‘bloquinho’ ao comando da CPI reflete os interesses do próprio governo, que pediu calma aos deputados para não haver pré-julgamentos. Tanto Corrêa quanto Beto reclamaram, na sessão desta quarta, falta de acesso ao relatório da auditoria feita pela PWC (Pricewaterhouse Coopers) que embasa o pedido de investigação.

O pedetista disse que é preciso evitar avaliações preliminares antes de saber os detalhes sobre o já apurado. “Se já houvesse (condenação) não precisaria de uma CPI, só executar a pena, que não é nossa função”, emendou.

“Por que só uma pessoa sabe desse relatório? Se tem denúncias, tem que ser públicas”, reclamou também Corrêa. Trazer à tona o tal documento da PWC seria o primeiro passo, na visão dele, para as investigações da CPI.

Marquinhos reagiu às reclamações dos colegas. Disse que faltou interesse dos deputados em ter acesso à documentação: “não tem justificativa dizer que não tiveram acesso”.

O peemedebista defende que, primeiro, sejam chamados os autores do relatório de auditoria para apresentarem conteúdo comprobatório das conclusões. Ele cita como exemplo um saque de R$ 185 milhões da empresa e questiona o paradeiro do dinheiro.

Jornal Midiamax