Política

Oficiais não teriam encontrado Puccinelli e Giroto; ex-deputado ameaça acionar o CNJ

Semy Ferraz pede R$ 2 milhões a título de reparação de danos por falso flagrante nas eleições de 2006, mas governador e ex-secretário ainda não foram notificados sobre a ação

Arquivo Publicado em 28/10/2010, às 12h09

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Semy Ferraz pede R$ 2 milhões a título de reparação de danos por falso flagrante nas eleições de 2006, mas governador e ex-secretário ainda não foram notificados sobre a ação

O ex-deputado estadual Semy Ferraz ameaça acionar o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) contra a Justiça Estadual de Mato Grosso do Sul. Na versão dele, oficiais de justiça não conseguiram localizar o governador André Puccinelli (PMDB) e o ex-secretário de Obras e deputado federal eleito, Edson Giroto, para notificá-los sobre ação de reparação de danos movida contra os dois.

“Já paguei duas diligências. A segunda teve o prazo vencido no dia 21 de outubro. Eu soube que eles não conseguiram notificar o governador e o ex-secretário. Agora, a notificação deve ser devolvida para o cartório”, acredita Semy. Na ação por reparação de danos o ex-deputado estadual pede indenização de R$ 2 milhões.

O ex-parlamentar alega que o governador e Giroto lhe causaram danos nas eleições de 2006. Na ocasião, a Operação Vintém da Polícia Federal constatou suposta denúncia falsa de crimes eleitorais que teria sido feita por André Puccinelli Junior (filho do governador), Girotto, que na época era secretário municipal de obras da Capital, Mirched Jafar Junior e Edmilson Rosa.

A acusação no processo é de que os quatro teriam forjado denúncias junto a Justiça Eleitoral e a Polícia Federal de compra de votos. Na época foram apreendidos inúmeros ‘santinhos’ do candidato grampeados com notas de R$ 20 que teriam sido colocados no carro de um assessor de Semy para supostamente forjar um flagrante. A “Operação Vintém” também investiga a possível aplicação de recursos não-declarados para campanha eleitoral.

“Eu perdi aquelas eleições, minha carreira política foi prejudicada. Eu tive que mudar para o Acre para conseguir emprego”, conta o ex-deputado que pretende acionar o CNJ na semana que vem.

Ele deve acrescentar à denúncia informações sobre o escândalo que atingiu o Estado após divulgação de vídeo no qual o deputado estadual Ary Rigo (PSDB), primeiro-secretário da Assembleia Legislativa, aparece detalhando suposta partilha de dinheiro entre autoridades de Mato Grosso do Sul. Na gravação, Rigo cita nome de membro da alta corte do Poder Judiciário.

A reportagem do Midiamax busca contato com a 13ª Vara Civil de Campo Grande, onde corre a ação, mas ninguém atende ao telefone. O sistema de consulta de processos do site do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul está indisponível para pesquisa nesta manhã. A razão informada é manutenção.

Ontem, pela manhã, o governador André Puccinelli esteve em evento aberto à imprensa na governadoria. À tarde, marcou presença do velório do vereador Carlos Antônio Costa Carneiro (PDT), em Alcinópolis. Hoje, ele não tem não agenda pública, mas despacha o dia todo na governadoria, segundo informação de sua assessoria de imprensa. Saiba mais sobre Operação Vintém nas notícias relacionadas.

Jornal Midiamax