A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) afirmou que não houve omissão de socorro a bebê de 10 meses na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Coronel Antonino, em Campo Grande na manhã da última terça-feira (1º). Além disso, reforçou sobre o aumento na demanda por atendimentos que tem ocorrido nos últimos dias.
Uma nota de apoio aos servidores foi publicada na manhã desta quinta-feira (3) após a confusão ocorrida no início da semana, que terminou com a PM (Polícia Militar), GCM (Guarda Civil Metropolitana) e Romu (Ronda Ostensiva Municipal) na UPA. Os fatos ocorreram após o pai da bebê ter supostamente acusado uma médica de omissão de socorro e acionado a polícia.
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E diante da repercussão do caso, a Sesau publicou a nota nas redes sociais como forma de apoio e reconhecimento aos servidores da UPA. No texto, é esclarecido que não houve omissão de socorro e todas as condutas adotadas foram pautas na responsabilidade e segurança do paciente.
Como demonstração de apoio, a pasta também afirmou que mesmo em meio ao cenário de sobrecarga, os profissionais seguiram todos os protocolos assistenciais à bebê e outros pacientes. “Mesmo em meio a esse cenário de sobrecarga, os profissionais seguiram todos os protocolos assistenciais com ética, respeito e comprometimento, garantindo os cuidados necessários à criança atendida naquele plantão e demais pacientes”.
Além disso, a secretaria disse que tem ciência dos desafios diários enfrentados nas unidades, citando especificamente o aumento na demanda por atendimentos. “Sabemos que os desafios enfrentados diariamente nas unidades são muitos, especialmente diante do aumento expressivo na demanda por atendimentos, que aumentou de uma média de 3 mil para 5 mil pessoas por dia”, diz a nota.
A também pasta informou na nota que reconhece e valoriza a dedicação, profissionalismo e esforço dos servidores, além de que continua ao lado de cada profissional oferendo o suporte necessário.
“Mesmo sob pressão, permanece firme no propósito de cuidar da população com dignidade e humanidade. Estamos atentos e solidários aos impactos que situações como essa podem gerar na equipe. Por isso, reforçamos que vocês não estão sozinhos.”
Por fim, a Sesau afirmou que foram adotadas medidas com ações firmes e concretas com o intuito de melhorar a qualidade do ambiente de trabalho.

Relembre o caso
A reportagem do Jornal Midiamax esteve no local no início da tarde de terça-feira (1º), onde encontrou a UPA lotada de pacientes e equipes da GCM, bem como da Romu (Ronda Ostensiva Municipal). Segundo relatos dos pacientes que testemunharam os fatos, uma criança estaria aguardando atendimento na UPA.
Em determinado momento, uma médica teria sido flagrada dormindo durante o horário de atendimento e o pai da criança teria acionado a PM (Polícia Militar).
Depois, iniciou-se uma confusão e a gerente da unidade teria entrado na sala e dito que era para a equipe suspender os atendimentos até a chegada da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). Na ocasião, conforme relatado ao Jornal Midiamax, somente um médico teria se recusado a suspender os atendimentos.
Sindicato dos Médicos de MS negou omissão de socorro
Por outro lado, a vice-presidente do Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul), Rosimeire Arias, disse que o pai teria acionado a PM alegando que uma médica teria cometido omissão de socorro contra sua filha. Ela afirma que o familiar queria que a filha fosse encaminhada para a enfermaria, mas não havia leito disponível e, por isso, o homem teria decidido denunciar a médica.
“Ela (criança) chegou aqui com o quadro, salvo engano, de uma hemorragia nasal e vômito. Essa criança foi atendida, foi colocada no soro e aí o pai chegou para a médica e falou ‘minha filha não vai para a enfermaria?’ Ela falou ‘não, porque nós não temos vaga’. Porém, não tem vaga na enfermaria, mas ela foi atendida. Nisso, ele falou, ‘então eu vou procurar os meus direitos, porque os senhores estão omitindo socorro’”, explicou Rosimeire.
Logo, os militares chegaram ao local e teriam entrado na sala de alguns médicos para averiguar se os atendimentos estavam ocorrendo. Com isso, a PM constatou que não houve omissão de socorro e o pai da criança foi para a delegacia formalizar a denúncia, conforme Rosimeire.
Ao Jornal Midiamax, a vice-presidente do Sinmed-MS garantiu que a criança foi atendida, mas que não havia leito disponível para ela. “A criança foi atendida, porém não havia leito na enfermaria, até porque todos sabem que aqui em Campo Grande nós temos três hospitais que atendem a Rede SUS e não houve nova contratualização de leitos”, afirmou.
Além disso, Rosimeire acusa a equipe da PM de ter entrado de forma truculenta na unidade. Por isso, afirmou que irá cobrar um protocolo de conduta para situações como essa.
“Nós recebemos uma denúncia de que uma das nossas médicas que estavam aqui na UPA Coronel Antonino estava sendo conduzida à delegacia por omissão de socorro. Chegando aqui, junto com o nosso jurídico, nós observamos que não aconteceu nada disso, houve sim um atendimento da criança, porém a abordagem que foi feita da Polícia Militar foi um tanto quanto desastrosa, porque ela veio junto com o pai para prender a médica”, alegou.

Aumento no número de atendimentos
Segundo dados da Sesau, nessa segunda-feira (31), quando 14 médicos estavam de plantão, mas somente oito salas disponíveis, foram registrados 4.761 atendimentos em dez unidades de saúde da Capital. Em dias normais, são registrados 3.500 atendimentos. Ou seja, houve um aumento de 36%.
Ainda conforme a secretaria, no mesmo dia houve um aumento de 800% nos envios de equipes móveis às unidades. Isso porque a média de envio é de quatro equipes e nessa segunda-feira (31) foram enviadas 36 equipes móveis.
Há falta de medicamentos essenciais, como soro de hidratação, paracetamol, amoxicilina, pomada para assadura, antialérgicos e bromoprida.
O Jornal Midiamax acionou a Sesau acerca do caso ocorrido no fim da manhã da última terça-feira (1º) e também foi informado, em nota, que não houve omissão de socorro. A secretaria afirmou que antes do pai da criança retornar da delegacia à UPA, a criança já estava sendo medicada.
Confira a nota na íntegra:
“A Secretaria Municipal de Saúde informa que não houve omissão de socorro da paciente em questão. Após passar por consulta médica, foi solicitado que a criança ficasse em observação na unidade de saúde, sendo assim encaminhada à enfermaria. Entretanto, como já está sendo noticiado, a pasta tem observado um aumento significativo na busca por atendimento nas unidades de urgência e emergência, que subiu de 2,5 mil atendimentos por dia, em média, para 4,5 mil atendimentos diários, o que provoca um aumento também no número de pacientes nas enfermarias das unidades de urgência e emergência. Aos pais da criança, foi solicitado que aguardasse enquanto a médica responsável pelo setor buscava por um leito para atender ao paciente, momento este em que o pai se retirou da unidade e se dirigiu a uma unidade policial para registrar o boletim de ocorrência. Cabe reforçar que, antes mesmo de o pai da criança retornar à UPA, o paciente já estava sendo medicado, confirmando, novamente, que não houve, em momento algum, omissão de socorro por parte da equipe da unidade.“
Santa Casa fecha, sobrecarrega UPAs e pacientes aguardam por horas
Na última quarta-feira (26), o Jornal Midiamax noticiou que Campo Grande vive dias de caos na saúde. Na UPA Coronel Antonino, tinham mais de 20 pacientes em estado grave aguardando vaga em hospital, macas nos corredores e horas de espera.
Na unidade, a emergência e a ala amarela estão lotadas de pacientes em situação mais grave, mas não há previsão de transferência. A Santa Casa parou de receber novos pacientes nesta semana, devido à superlotação e falta de insumos para cirurgias, com isso, não há leitos hospitalares disponíveis em Campo Grande.
Entre os casos mais graves, há pacientes com síndrome respiratória, fraturas, crises de vesícula e outros. Uma mulher com crise de vesícula chegou na UPA às 21h de ontem e aguardou 12 horas por atendimento. O quadro médico da unidade está completo, mas lotado de novos pacientes.
Um dos agravantes é a chegada do outono e, com ele, o aumento de circulação de vírus respiratórios. A recomendação é de evitar levar crianças pequenas em unidades de saúde, devido à grande circulação de vírus no local.
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