Há um ano, Maria Eduarda Souza Lima, de 34 anos, foi morta a facadas no Jardim Los Angeles, região sul de Campo Grande. Ela se desentendeu com Douglas Mikael Teles de Souza Gabilani por conta de uma dívida relativa ao jogo do “Tigrinho”.
Douglas havia ganhado cerca de R$ 800 no jogo, que tinha sido depositado na conta de Maria Eduarda, conhecida como Duda. Ela emprestou a conta para o réu, já que ele não tinha cartão.
Ela repassou parte do valor por meio de transferência Pix, mas não todo por conta do limite de movimentação bancária. Duda e Douglas chegaram a discutir horas antes do crime, e ele saiu logo depois.
Na madrugada de 23 de agosto de 2024, Douglas retornou à residência — sob efeito de drogas, segundo testemunhas — para cobrar o pagamento do restante do dinheiro do “Tigrinho”. Colegas dos dois estavam na sala, enquanto Duda estava num dos quartos.
O autor passou pelo grupo e foi conversar com a vítima. Eles logo se desentenderam e Douglas sacou uma faca. Os dois lutaram e, durante a briga, o réu esfaqueou a vítima na região da costela.
Douglas fugiu logo após o crime. Ele já tinha uma extensa ficha criminal, com mais de 20 passagens, que inclui outros homicídios. O autor havia saído do sistema prisional quatro meses antes de matar Duda. Ele está preso enquanto aguarda o julgamento.
Maria Eduarda enviou áudio para irmã antes de morrer
Após o crime, o celular de Maria Eduarda passou por perícia, autorizada pela família. A Polícia Civil encontrou um áudio da vítima enviado à irmã pedindo socorro durante a briga com Douglas por conta do dinheiro do “Tigrinho”.
“Estou morrendo! Ai, juro que eu vou morrer. Socorro! Leva o dinheiro. Está aqui o dinheiro! Socorro! Socorro! Socorro!”, exclamou.
Durante a fuga, o réu abandonou a faca em um terreno baldio, encontrada horas depois. Ele se entregou à polícia quase um mês depois do crime.
Em depoimento, Douglas alegou que foi Duda quem o atacou com a faca, a desarmou e a esfaqueou antes de fugir. Ele teve a prisão decretada após a confissão.
Além disso, a polícia concluiu que ele não agiu em legítima defesa, com base no depoimento de testemunhas, e pediu o indiciamento por homicídio.
Autor aguarda julgamento por morte de Maria Eduarda por ‘Tigrinho’
Em abril de 2025, o juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, acolheu a denúncia do MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) e tornou Douglas réu pelo homicídio de Maria Eduarda.
Perante o magistrado, negou o crime motivado pelo “Tigrinho”. Mas pediu a pronúncia para apresentar sua versão no júri popular.
Porém, a Defensoria Pública — que representa Douglas — recorreu pedindo a anulação da qualificação de recurso que dificultou a defesa da vítima na acusação de homicídio. Para o órgão, não ficou provado que ele agiu para esse resultado.
Por sua vez, o MPMS sustentou que o réu surpreendeu a vítima ao esfaqueá-la, pedindo para manter a denúncia na íntegra. Esse recurso está pendente de julgamento no TJMS (Tribunal de Justiça de MS).
Enquanto isso, não há data prevista para o júri.
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(Revisão: Bianca Iglesias)