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Polícia

Peça-chave, ex-namorada suspeita de matar jogador de futebol não participa de reconstituição

Investigação simulou como teria ocorrido o crime apenas com participação de jovem que ajudou a jogar partes do corpo de Hugo no rio
Mirian Machado -

A Polícia Civil realizou nesta quarta-feira (5) a reconstituição do assassinato e esquartejamento do jogador de futebol Hugo Vinícius Skulny, de 19 anos. Considerada peça-chave na investigação, a ex-namorada do rapaz não participou da simulação. O crime chocou a cidade de , que tem quase 11 mil habitantes e fica a 468 km de Campo Grande.

Hugo foi morto com três tiros, sendo dois na testa. Depois, foi esquartejado e teve partes do corpo despejados no Rio Iguatemi. O atirador segue foragido.

A reconstituição do crime é a simulação do que ocorreu no dia em que Hugo Vinícius foi assassinado e é fundamental para tirar conclusões e apurar como se deram os fatos. Porém, somente o rapaz amigo da ex de Hugo, participou. Ele teria ajudado a despejar partes do corpo da vítima no rio.

Duas pessoas estão presas, uma delas, a ex namorada o jogador, uma jovem de 21 anos. Segundo o advogado dela, Felipe Cazuo, a jovem está presa em Iguatemi e não participou da reconstituição por medo de voltar à cidade. “Ela já prestou o depoimento dela e mesmo assim ficou presa, então optamos por não participar”, informou.

Conforme o advogado, a ex-namorada de Hugo estava na residência com o autor dos disparos, apontado como ficante da ex e o amigo dela, que dormia em um quarto ao lado, quando teria tido a casa invadida pelo jogador. “Não era a primeira vez que ele aparecia lá sem ser chamado”, disse explicando que o casal havia rompido o relacionamento há cerca de dois meses.

O amigo da jovem estava na residência porque pegaria carona com ela para ir ao Paraguai, onde ele mora e os pais da menina também.

Questionado sobre a mudança no depoimento da jovem, o advogado explicou que, no primeiro depoimento, ela estava em choque ainda. “Ela não viu ele sendo esquartejado ou jogado no rio. Ela estava nervosa e com medo, já que o autor disse que não era para ninguém contar nada. Alí é região de fronteira e a gente sabe que é perigosa”, afirma.

Depois, a jovem permaneceu na casa e não contou para ninguém. Só depois criou coragem para ligar e avisar a mãe. “Se não fosse por ela e pelos pais, não teria esse desenrolar e a descoberta dos verdadeiros autores”, contou o advogado, lembrando que a jovem se apresentou na delegacia de após insistência da mãe e do padrasto. Já eles dois prestaram depoimentos em Sete Quedas. “Ela está como suspeita porque é ex namorada. Ela se apresentou, mesmo sabendo do risco de prisão”, disse.

Ainda segundo a defesa da jovem, o crime não foi premeditado, nem por parte do autor. “Ninguém que premedita o crime comete ele dentro da própria casa. Como o nome diz ‘premeditado’ é você criar um plano para aquilo e normalmente é feito em lugares longe de onde você possa ser suspeito”, detalhou.
A jovem foi presa em flagrante, porém em audiência de custódia o juiz decretou que o flagrante foi ilegal, mas já havia um pedido de prisão temporária e então ele homologou o pedido. Ela fica presa temporariamente por 30 dias, podendo ser prorrogado por mais 30.

Assassinato e esquartejamento

No segundo depoimento da ex-namorada do jogador, ela disse que na manhã do dia 25, ela e o autor do crime voltaram para a sua residência, na companhia de um amigo.

O amigo foi para um dos quartos enquanto ela e o autor foram para outro quarto, onde mantiveram relações sexuais. Ela contou que momentos depois, Hugo invadiu a sua casa e entrou repentinamente em seu quarto a chamando de ‘vagabunda’, nisto o autor se levantou.

Os dois foram até a frente da residência e a ex-namorada estava junto quando o autor fez o disparo contra Hugo, que caiu na calçada. O amigo que estava na casa se levantou e assustado teria questionado o que havia ocorrido. Em seguida, o autor mandou que o rapaz o ajudasse a colocar Hugo na carroceria do carro da jovem.

Ele ainda teria mandado que todos ficassem calados e não contassem nada a ninguém. Hugo ainda respirava quando foi colocado no carro. A frente da calçada foi lavada pela jovem.

O amigo que estava na casa no momento do assassinato disse que, após o crime, a ex-namorada de Hugo ficava mandando mensagens para ele e apagando em seguida, afirmando que era para ficar quieto. O padrasto e mãe da jovem também mandaram que ele não contasse nada a ninguém.

Corpo jogado no rio

Após colocarem o corpo de Hugo na carroceria, a dupla passou na frente da sede da Polícia Civil indo em direção ao rio da cidade. Foram abertas duas porteiras e, na beirada do rio, o autor colocou o carro de forma para poderem retirar a vítima do veículo.

O autor antes de jogar o corpo no rio fez mais dois disparos na testa de Hugo. O rapaz que ajudou a desovar o corpo relatou que não viu o corpo sendo esquartejado, que apenas foi lançado ao rio.

Após o assassinato, Hugo foi esquartejado para impedir que o corpo fosse encontrado. O instrumento usado teria sido uma serra elétrica, mas ainda não foi confirmado. As partes foram jogadas no Rio Iguatemi. Hugo estava desde o dia 25 de junho, após ter ido a uma festa.

Almoço em chácara e passeio no parque

Após o crime, a ex-namorada do jogador ligou para a mãe dizendo que Hugo havia sido ferido com um tiro pelo autor, não dando mais detalhes. A mulher, então, avisou o marido que foi até Sete Quedas para ver o que havia ocorrido.

Chegando na casa da enteada, encontrou o amigo dela que disse que a jovem havia saído para levar o rapaz até a sua casa, mas já voltaria. O amigo estava em estado de choque e com as roupas urinadas. O padrasto da jovem, então, saiu para ir até a sua casa e acabou encontrando ela na rua.

Ele, então, percebeu que ela estava nervosa e resolveram levar o carro para a sua casa e depois partiram no veículo do padrasto para a chácara de sua mãe do lado paraguaio. No local, ela almoçou e no fim da tarde todos foram para um passeio no parque.

Segundo consta no depoimento, a jovem só contou para mãe o que havia ocorrido depois dizendo que estava com medo das ameaças do autor que teria dito que mataria, caso alguém soubesse de alguma coisa. Ela e o autor já teriam se relacionado anteriormente e se encontravam esporadicamente, quando ele brigava com a namorada atual.

As roupas sujas de sangue foram lavadas na chácara, assim como o carro da jovem que foi lavado para tirar os vestígios de sangue.

Ciúmes e perseguição x família problemática

Uma tia de Hugo em depoimento contou que a jovem não aceitava o fim do relacionamento com seu sobrinho e que vivia mandando mensagens para o jogador que bloqueava a ex-namorada, mas ela sempre aparecia atrás de Hugo tentando reatar o relacionamento.

Segundo a tia, no dia 24 pela manhã o sobrinho mostrou as várias mensagens que a ex-namorada estava mandando para que os dois se encontrassem e Hugo teria dito à tia que não queria mais.

Ainda segundo a tia do jogador, a mãe da jovem já teria tentado matar o próprio pai envenenado e contratado um para matar o ex-marido.

Desaparecimento de Hugo

Após o desaparecimento do jogador, familiares registraram o boletim de ocorrência, e durante as investigações várias pessoas foram ouvidas e uma testemunha levou a polícia neste até o rio, onde partes do corpo de Hugo foram encontradas.

O jogador de futebol foi visto pela última vez em uma festa, no município vizinho de Pindoty Porã, no Paraguai. Informações são de que o rapaz foi morto em uma propriedade rural, esquartejado e teve as partes do corpo jogadas no rio. Hugo jogava pelo time da cidade de Sete Quedas em torneios estaduais.

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