Logo após o assassinato do radialista Humberto Andrés Coronel, de 33 anos, nessa terça-feira (6), um recado foi enviado aos trabalhadores da Rádio Amambay 570, afirmando que “muitos vão chorar”. O jornalista foi assassinado com oito tiros na porta da rádio.
O Ministério Público foi acionado pelos outros colegas de Humberto. Eles fizeram a denúncia relatando que uma conta do Facebook enviou recados a rádio dizendo: “Muitos vão chorar, Humberto escondeu todas as informações que deveriam ser passadas sobre Gabriel, assim como todos os jornalista são pagos por ele para ficar calados e todos vocês os esconderam”.
Ainda segundo o site ABC Color, a mensagem dizia: “Agora é Humberto e uns poucos que vão comer chumbo se não nos disserem onde está Gabriel. Onde ele está, você sabe onde ele está, vamos acertar a conta ainda. Damos quatro dias para localizá-lo”.
Segundo os colegas de Humberto, eles não sabem quem seria Gabriel. A promotora do caso revelou que as mensagens estão sendo analisadas e não descarta que possam ser mensagens para distrair a investigação.
Ministério Público culpou jornalista pela sua morte
A promotora Katia Uemura disse que o jornalista seria responsável por seu próprio assassinato, já que deveria estar se ‘protegendo’ ou ter ‘tentado consertar as coisas’. A promotora disse que Humberto se recusou a ter custódia e, mesmo assim, o Ministério Público colocou efetivos à disposição do radialista.
Segundo a promotora, teria sido uma decisão de Humberto rejeitar a escolta naquele momento. “Eu não atribuiria essa responsabilidade ao Ministério Público ou à polícia, já que uma pessoa ameaçada deve se proteger”, falou Katia.
Ameaças a Humberto
No dia 10 de junho, Humberto Coronel e o colega Gustavo Manuel Báez Sánchez, 28 anos, procuraram a 7ª Delegacia de Polícia em Pedro Juan Caballero (PY). As ameaças foram feitas por meio de um cartaz deixado na frente da casa de Gustavo Báez.
“Sabe muitas coisas, vamos apagando o que sabe muito, Gustav, Humbetito”, diz a frase. Após formalizada a denúncia, o SPP (Sindicatos dos Jornalista do Paraguai), por meio da delegacia regional de Amambay, divulgou nota de solidariedade aos colegas de Pedro Juan Caballero, em que também repudia o ato.