Polícia

VÍDEO: Médico flagrado fazendo ‘social’ em casa desacata e chama vigilantes de genocidas

Ele reafirma ser defensor de tratamento com cloroquina

Renata Portela Publicado em 01/06/2021, às 16h19

Equipe da Vigilância foi até a casa do médico
Equipe da Vigilância foi até a casa do médico - (Reprodução, vídeo)

O médico Iliê Vidal Basso foi alvo de auto de infração sanitária após ser flagrado em reuni"ao com amigos em sua residência, após o toque de recolher, pela Vigilância Sanitária do município de Rio Brilhante, a cerca de 158 km de Campo Grande. O auto consta na edição do Diário Oficial de rio Brilhante da última segunda-feira (31), referente à infração ocorrida no último dia 26 de maio

No vídeo feito durante a abordagem dos fiscais, o médico é avisado sobre a denúncia de aglomeração e logo diz que ali “ninguém pega Covid”. Com aproximadamente 5 pessoas na residência, ele chega a chamar os vigilantes de genocidas. Isso, porque o município não realiza mais o tratamento precoce, defendido pelo médico.

Consta no auto de infração que o médico foi flagrado durante fiscalização do cumprimento do decreto que instituiu medidas temporárias para o enfrentamento da situação da Covid. A Vigilância aponta que recebeu denúncia e abordou o médico em casa, porque estaria promovendo reunião com outras pessoas, que não vivem no local, após o toque de recolher.

Ainda no documento é citado que o médico desacatou os profissionais. Ele foi notificado para responder a processo administrativo sanitário, com prazo de 15 dias para apresentar defesa ou impugnação. O médico, que é concursado na Prefeitura de Rio Brilhante, fica sujeito à pena educativa e/ou multa.

Briga política

Em sessão na Câmara do município, o primo do médico, vereador Venizelos Papacosta Neto (PSL) sai em defesa de Iliê. Ele diz não concordar com a exposição feita por conta da filmagem no momento da abordagem. O vídeo teria circulado nas redes sociais. O vereador também pontua que o desacato foi, na verdade, um desabafo.

O vereador afirma que, quando o médico atuava na linha de frente no plantão da Covid-19 o número de óbitos no município era menor. “Ele foi impedido de dar continuidade ao trabalho que vinha fazendo”, diz. “Muita gente queria estar gritando como ele está gritando”, afirma Venizelos.

Já o vereador Adão Evandro (DEM) aproveitou a sessão para parabenizar a ação da equipe de Vigilância Sanitária e repudiar a atitude do médico. “Ele desautoriza os funcionários públicos que estão trabalhando por nossa cidade”, afirma. O parlamentar chama a atitude do médico de irresponsável e diz que os agentes deveriam ter acionado a polícia, para que ele fosse preso por desacato.

O que diz o médico

Ao Midiamax, o médico Iliê Basso relatou que tem sofrido perseguição de uma figura política da cidade. Segundo o médico, concursado, ele trabalhou na linha de frente do Covid, mas no novo protocolo foi retirado o uso da cloroquina. Ele afirma que foi contra, mas que ainda era permitido prescrever a medicação.

“Continuei trabalhando da minha forma e fazendo o que acho ser correto”, disse. Segundo o médico, após a retirada do tratamento precoce, as mortes pela Covid teriam aumentado na cidade. Entre fevereiro e março, a médica chefe do setor da Covid teria recolhido a medicação. “Falei que ia começar a morrer gente por causa disso”, afirmou.

Após o ocorrido, Iliê deixou a linha de frente, mas continuou atendendo plantões. No dia 30 de março, ele fez uma live acompanhado do também médico, deputado federal Luiz Ovando (PSL). No dia seguinte, uma denúncia teria sido feita no Ministério Público. “Na denúncia falava que eu era louco”, conta. A partir daí, ele afirma que teria passado a sofrer a perseguição, de um ex-político da cidade.

O médico, que se diz antivacina e a favor do tratamento precoce com hidroxicloroquina, afirma que o crescimento das mortes no município seriam por conta da mudança nos tratamentos. Sobre a ocorrência com a Vigilância, ele alega que estava jogando tênis no dia e foi para casa com os amigos fazer um churrasco.

Ele diz que havia menos pessoas do que o exigido, sem configurar aglomeração. Para ele, a divulgação do vídeo e a ‘perseguição’ foram um “tiro no pé”. O médico relata que a população do município tem ficado ao lado dele e apoiado as falas do vídeo.

Jornal Midiamax