Polícia

Por causa de lockdown, justiça adia julgamento de grupo do PCC que matou ‘resistência’ em presídio

Vítima liderava grupo que se recusava a receber ordens da facção

Renan Nucci Publicado em 02/06/2021, às 14h34

Crime ocorreu no interior da PED, em Dourados
Crime ocorreu no interior da PED, em Dourados - Foto Ilustrativa

O juiz Eguiliell Ricardo da Silva, da 3ª Vara Criminal de Dourados, a 225 quilômetros de Campo Grande, adiou o julgamento de dez integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) acusados do assassinato de um rival, ocorrido dentro da Penitenciária Estadual daquele município. A sessão que estava agendada inicialmente para o próximo dia 10, será realizada somente no dia 21 de outubro, a partir das 8 horas, no Fórum local.

A medida se fez necessária em razão de lockdown decretado pelo prefeito Alan Guedes, como forma de combater a pandemia do coronavírus (Covid-19) e que restringiu a abertura de comércios, instituições e órgãos públicos, bem como a circulação de pessoas nas ruas.  “Considerando a edição pela Prefeitura Municipal de Dourados do Decreto nº 400, de 28 de maio de 2021, o qual dispõe sobre medidas restritivas para prevenção do contágio do Coronavírus – COVID 19, REDESIGNO a sessão de julgamento”, lê-se no despacho do magistrado.

Denúncia

Conforme denúncia oferecida pelo MPMS (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul), no dia 20 de janeiro de 2015, na cela de número 34 do Bloco B, raio 2 da Penitenciária Estadual de Dourados, Cristiano de Souza Seichas, Dionísio Aparecido de Oliveira, Ezequiel da Silva Aguirre, Marcos Ferreira da Sival, Pedro Marcos Fernandes, Robinson Pereira de Souza e Wander Luiz dos Santos Cabral mataram Thiafo Ferreira Barros.

O grupo teria agido com dolo, por motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa e mediante asfixia, sob ordens de Carlos Augusto de Souza Magela, José Antônio Melo e Ricardo da Silva de Jesus. Consta nas investigações que Thiago liderava grupo de presos que resistiam ao domínio do PCC na unidade. Na data dos fatos, a vítima foi abordada pelos autores e coloca à força dentro da cela, onde foi espancada e obrigada a consumir uma bebida feita à base de cocaína, água e bebidas alcoólicas.

A substância tem como objetivo levar à morte por overdose, a fim de dificultar as investigações. No entanto, como Thiago sobreviveu, os autores o asfixiaram até que ele morresse.  Em seguida, tentaram dissimular os fatos alegando que a vítima tinha passado. Foi fornecido socorro e atendimento médico, mas a equipe pôde apenas constatar que Thiago já estava morto.

Jornal Midiamax