Polícia

Operação Balada: MS era porta de entrada de armas que abasteciam facções no Complexo da Maré, no RJ

Organização também chegou a desviar cerca de 4 toneladas de insumos químicos para a produção de 11 toneladas de cocaína

Thatiana Melo e Renan Nucci Publicado em 05/10/2021, às 12h07

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(Divulgação)

A Polícia Federal detalhou, em coletiva de imprensa realizada em Uberlândia (MG) na manhã desta terça-feira (5), que a cidade de Ponta Porã era a porta de entrada de armas e munições que abasteciam facções criminais localizadas no Rio de Janeiro, sobretudo, no Complexo da Maré. A coletiva em questão deu detalhes da Operação Balada, deflagrada nesta manhã e que teve cumprimento de mandados no Estado.

Ainda durante a coletiva, a PF detalhou que o cumprimento dos mandados resultou em 59 prisões e apreensão de 62 veículos, além de R$ 780 mil em dinheiro vivo. Cinco prisões foram feitas pelo flagrante de armas e munições e não foi detalhado se houve prisões em Mato Grosso do Sul.

Os policiais também detalharam que os criminosos passaram a ostentar nas redes os luxos comprados com o dinheiro do tráfico de drogas e armas. Além disso, os alvos desviavam produtos químicos do mercado formal para laboratórios de cocaína: em sete meses, 4 toneladas teriam sido desviadas, e iriam produzir cerca de 11 toneladas de cocaína.

No caso, a cidade de Uberlândia servia de entreposto para a guarda das drogas e armamento distribuído para outros estados. 

Mandados cumpridos

Foram cumpridos 249 mandados de busca e apreensão, além de centenas de outras medidas cautelares, como sequestro de bens e bloqueio de contas correntes, expedidos pela 4ª Vara Criminal da Comarca de Uberlândia, nos estados de Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Alagoas, Tocantins e Espírito Santo.  Ainda não se sabe o número de mandados cumpridos no Estado.

Organização

A organização operava um estruturado esquema de tráfico de drogas e preparava entorpecentes para comercialização, mediante emprego de insumos químicos adquiridos por meio de empresas regularmente cadastradas. No período de sete meses, foram comprados, no mercado regular, insumos capazes de manipular mais de 11 toneladas de cocaína. 

Segundo as investigações, o armamento adquirido pelo grupo criminoso saía de Mato Grosso do Sul e era transportado para Uberlândia, e depois tinha como destino grupos da região do Triângulo Mineiro, especializados no tráfico de drogas e roubos a banco, bem como a uma facção criminosa estabelecida no Rio de Janeiro.

Durante as investigações, foram apreendidos um carregamento de oito fuzis e 14 pistolas, em março de 2020, na cidade de Uberlândia. Os investigados utilizavam veículos especialmente preparados para o transporte das armas, com emprego de batedores durante os seus deslocamentos. 

Para despistar a origem do patrimônio, o grupo administrava um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro, com a utilização de empresas de fachada e a aquisição de postos de combustíveis, hotéis, fazendas, imóveis, veículos e embarcações de luxo. Estima-se que mais de R$ 2 bilhões foram movimentados pelos investigados nos últimos dois anos. As contas bancárias e bens identificados foram bloqueados por determinação judicial, assim como aproximadamente uma centena de imóveis. Participam da operação, cerca de 850 policiais federais.

Jornal Midiamax