Polícia

‘Já fiz parte, mas não mandei matar’, diz acusado de ser mandante em tribunal do crime do PCC

É julgado nesta quarta-feira (3), Fernando Barbosa da Silva, acusado de ser mandante do assassinato de Edgar Nunes da Silva, ocorrido em novembro de 2019. Durante o Tribunal do Júri, ele diz apenas ter recebido a foto do corpo da vítima de preso e não fazer mais parte da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da […]

Danielle Errobidarte Publicado em 03/02/2021, às 12h31 - Atualizado às 17h25

Edgar foi último de três autores julgados. (Foto: Henrique Arakaki)
Edgar foi último de três autores julgados. (Foto: Henrique Arakaki) - Edgar foi último de três autores julgados. (Foto: Henrique Arakaki)

É julgado nesta quarta-feira (3), Fernando Barbosa da Silva, acusado de ser mandante do assassinato de Edgar Nunes da Silva, ocorrido em novembro de 2019. Durante o Tribunal do Júri, ele diz apenas ter recebido a foto do corpo da vítima de preso e não fazer mais parte da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Vídeo exibido, da mãe da vítima, afirma que Fernando já ameaçava Edgar e costumava passar de carro na frente da residência onde moram, no Bairro Nova Lima.

Depoimento de um dos policiais que participaram da investigação afirma que a prisão de Fernando com o material sobre a morte da vítima foi feita após o réu “exibir fotos do assassinato na rua”. A polícia chegou até Fernando após uma denúncia anônima no dia seguinte do crime, e o celular dele foi apreendido. Ele ainda afirma que Fernando “era considerado a ligação entre os membros do PCC no presídio e a rua”.

Fernando é o último dos três acusados do assassinato, fora os dois menores de idade apreendidos e que cumprem medidas socioeducativas. Estes, relataram, em depoimento, que Paulo Henrique da Silva Lemes (condenado a 18 anos de prisão) e Israel Alves Sarmento (condenado a 22 anos de prisão) ordenaram que eles tirassem fotos da execução e enviassem à Fernando. A ação faria parte de uma “comprovação”, ordenada por lideranças do PCC, que comprovariam a morte.

'Já fiz parte, mas não mandei matar', diz acusado de ser mandante em tribunal do crime do PCC
Edson foi morto após postar foto com mãos fazendo sinal em alusão a facção rival do PCC. (Foto: Henrique Arakaki)

Em depoimento exibido da mãe da vítima, ela afirma que o filho costumava trocar de celular e de chip frequentemente após receber ameaças. Segundo ela, Edgar tirou uma foto com amigos que se diziam da facção rival ao PCC, denominada Comando Vermelho, onde outros colegas apareciam fazendo sinais em referência à facção. A foto, conforme explicou a mulher, foi tirada em 2015 e postada no Facebook.

Carbonizado dentro de porta-malas

Edgar foi encontrado carbonizado dentro de um Fiat Uno, na região do Bairro Nova Lima, no dia 18 de novembro de 2019. Ele foi assassinado com facadas no pescoço e mantido em cárcere privado por, pelo menos 12h.

Na tentativa de se entender com os autores, que o acusavam de participar da facção criminosa Comando Vermelho após a postagem da foto, Edgar ainda teria ido até a casa de Paulo para tentar resolver o problema, mas quando chegou na residência no bairro Tarsila do Amaral acabou sendo amarrado e julgado pelo ‘Tribunal do Crime’ do PCC. Ele foi executado na casa a mando de presidiários da Máxima e teve o corpo queimado dentro do carro, que foi abandonado na região do bairro Nova Lima.

Jornal Midiamax