Polícia

Há 8 anos preso em Campo Grande, Maníaco da Cruz chocou MS com três homicídios

Sem local para interná-lo, Justiça o manteve no IPCG

Renan Nucci Publicado em 05/05/2021, às 16h10

Acusado de três homicídios, Maníaco da Cruz foi preso no Paraguai após fugir da Unei em 2013
Acusado de três homicídios, Maníaco da Cruz foi preso no Paraguai após fugir da Unei em 2013 - Arquivo

A morte de três bebês  e duas funcionárias durante ataque a uma creche ocorrido na manhã de terça-feira (04), no oeste de Santa Catarina, foi cometido de forma cruel por um jovem de 18 anos apontado pela polícia como problemático.  Os atos chocaram o país e se assemelham aos crimes de Dionatham Celestrino que, aos 16 anos de idade, assustou Mato Grosso do Sul após assassinar três pessoas no município de Rio Brilhante, a 158 quilômetros de Campo Grande.

Os casos podem ser correlacionados porque envolvem dois jovens assassinos. No caso de Santa Catarina, a polícia alega que o autor tinha histórico de maus-tratos a animais, era vítima de bullyng e não queria mais frequentar a escola. Ele atacou as crianças, uma professora e uma agente educacional com golpes de facão, sem qualquer chance de defesa a elas. Já Dionatham alegava que adorava a Cruz de Ansata e que, ao tirar a vida das pessoas, estava purificando-as, livrando-as de uma suposta vida de perversão.

Maníaco

Preso há 13 anos, Dionatham, que já completou 29 anos, recebeu o apelido de ‘Maníaco da Cruz’ em razão da posição em que deixava os corpos das vítimas.  Em julho de 2008, ele matou o pedreiro Catalino Gardena, 33 anos, em agosto daquele mesmo ano a vítima foi a frentista Letícia Neves de Oliveira, 24 anos, e depois, em outubro, matou a estudante Gleice Kelly da Silva, 13 anos. As vítimas, consideradas por ele ‘falsas cristãs’, foram esfaqueadas ou estranguladas e tiveram os corpos deixados em posição de crucificação em cemitérios.

Dionatham foi apreendido e confessou os atos infracionais análogos a homicídio, ficando internado na Unei (Unidade Educacional de Internação) de Ponta Porã, município localizado na fronteira. Em março daquele ano, ele fugiu e foi recapturado meses depois, na cidade de Horqueta, no Paraguai, onde tentava levar uma vida acima de qualquer suspeita.

O Poder Judiciário esteve diante de vários impasses para definir o destino do rapaz, já que ele havia sido diagnosticado com transtorno de personalidade antissocial e homicida em série e, por este motivo, necessitava de uma internação especializada. Porém, não há nenhum estabelecimento específico para atendimento em Mato Grosso do Sul e os que existem em outros estados não o aceitavam, seja por falta de vagas ou por motivos de segurança. 

Com futuro incerto, ele está recolhido no IPCG (Instituto Penal de Campo Grande) onde, de acordo com a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), fica em cela separada e recebe atendimento médico regularmente. Entre os anos de 2015 e 2016, teve ao menos três episódios de ameaças e vias de fato contra agentes e presos, sendo condenado por vias de fato a 15 dias de prisão.

Jornal Midiamax