Polícia

Durante júri, acusado de matar homem por engano em baile funk diz que planejava fugir para SP

Verdadeiro desafeto do réu foi assassinado meses após o crime

Danielle Errobidarte Publicado em 19/11/2021, às 11h39

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(Foto: Leonardo de França)

É julgado nesta sexta-feira (19), Michael Vinícius Pereira da Silva Esquiviel, réu solto, acusado de assassinar João Carlos Benites Fernandes em março de 2017, durante um baile funk no Bairro Jardim Itamaracá, em Campo Grande. João não era o alvo de Michael e foi atingido por erro na execução. Durante depoimento no Tribunal do Júri, ele afirmou ter vendido a arma do crime por R$1500 para um conhecido, passado em um bar e retornado para a casa da avó, onde morava.

Na época, ele também começou a responder o inquérito policial por tentativa de homicídio de Maickon Alves Marques. Este, faleceu posteriormente, vítima de outro crime. Os réu e Maickon teriam um desafeto antigo, mas Michael errou o alvo e os disparos atingiram João na região frontal do crânio. A defesa chegou a pedir a impronúncia, alegando ausência de indícios suficientes de autoria. O recurso foi negado em dezembro de 2020.

O réu alegou ter se escondido após o crime, e que decidiu se apresentar após conversar com um tio. A intenção inicial era fugir para o estado de São Paulo, mas ele acabou desistindo depois de conversar com o tio – que segundo ele já cumpriu pena.

Michael relatou ter voltado para a casa apenas as 13h do dia seguinte ao crime. Antes, por volta das 5h ele foi para uma chácara, onde ficou escondido, e depois para a residência de uma conhecida, onde permaneceu até por volta das 10h. “Gastei um pouco do dinheiro que vendi a arma para ficar escondido, e R$ 1000 dei para o advogado quando me apresentei”, alega.

Questionado pela promotoria o motivo de não ter apresentado a arma do crime na delegacia, Michael alegou que não tinha dinheiro para comprá-la do conhecido para o qual vendeu. Ele se apresentou na delegacia durante a fase do inquérito policial, e por isso responde o processo em liberdade.

O réu afirmou que “Maickon não era flor que se cheira”, e que já teria se envolvido “em um outro rolo”, quando um motorista de aplicativo, de 32 anos, foi baleado no Jardim Campo Alto no dia 23 de julho de 2017. Joaquim Rodrigues de Oliveira, de 58 anos, e Antônio Marques, de 72, morreram após troca de tiros entre eles. Testemunhas afirmaram que Maickon teria participado do tiroteio.

Jornal Midiamax