Polícia

Defesa faz pedido de prisão domiciliar, mas Fahd Jamil vai passar a noite no Garras

Ele é réu no âmbito da Operação Omertà

Renata Portela e Ranziel Oliveira Publicado em 19/04/2021, às 17h48

Fahd deve permanecer em cela do Garras até decisão judicial
Fahd deve permanecer em cela do Garras até decisão judicial - (Foto: Leonardo de França, Midiamax)

Preso nesta segunda-feira (19) após se entregar à Polícia Civil em Campo Grande, Fahd Jamil, 79 anos, deve passar a noite no Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco e Resgate a Assaltos e Sequestros), com previsão de que possa inclusive ficar mais dias na unidade. A defesa fez pedido para converter a prisão preventiva em domiciliar e na terça-feira (20) o réu passa também por audiência de custódia.

Conforme o advogado Gustavo Badaró, o pedido de prisão domiciliar já foi feito, perante a 1ª Vara Criminal de Campo Grande. A alegação da defesa seria a debilidade do réu, que apresenta problemas de saúde e que teriam se agravado desde a última negativa de prisão domiciliar, em dezembro de 2020.

Ainda segundo o advogado, Fahd Jamil tem enfisema pulmonar, hipertensão, diabetes, não consegue tomar banho em pé, precisa de atendimento e cuidados e de oxigênio constante. Assim como no pedido feito em dezembro, o advogado reafirmou que foi solicitado ao Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul se alguma unidade tinha capacidade para atender aos cuidados do réu.

Advogado Gustavo Badaró
Advogado Gustavo Badaró (Foto: Leonardo França)

No entanto, a resposta foi negativa. A defesa acredita que por ter se entregado, possa haver maior possibilidade de que a Justiça acate ao pedido, já que desde junho de 2020 Fahd era considerado foragido. Ele tinha mandado de prisão em aberto desde a terceira fase da Omertà e responde a crimes como corrupção passiva, tráfico de armas, organização criminosa e também é apontado no homicídio de Ilson Martins Figueiredo.

Audiência de custódia

Segundo a defesa e a polícia, Fahd Jamil passa por audiência de custódia nesta terça-feira, por videoconferência. Assim, já há uma decisão inicial sobre a prisão do réu. Mesmo assim, foi feito o pedido de prisão domiciliar e segundo o advogado Gustavo, é aguardada manifestação do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para depois ser tomada decisão pelo juiz.

O advogado afirma que o MPMS tem se manifestado de maneira rápida. Também será feita a perícia para que haja exame médico oficial sobre o estado de saúde de Fahd. O advogado pontuou que os exames de dezembro já não condizem com a atual situação do réu, que teria tido piora.

Com isso, Fahd deverá permanecer em cela no Garras. O advogado também voltou na unidade para verificar condições de alimentação e para levar aparelho de complementação de oxigênio para o réu. O advogado também considerou remota a transferência de Fahd para presídio federal, alegando que não haveria motivação para que fosse feito tal pedido.

Ameaças

Em carta, Fahd Jamil diz que sofre perseguição de criminosos. Segundo a polícia, as ameaças seriam por parte do PCC (Primeiro Comando da Capital). Assim, por questão de segurança até mesmo dos policiais, o exame de corpo de delito normalmente feito no Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) foram realizados no Garras.

Foragido

Fahd já havia sido preso pela Polícia Federal em meados dos anos 80. Depois, foi condenado já Justiça Federal por tráfico de drogas, mas a prisão foi revogada e a sentença anulada. Em 2020, ele foi denunciado no âmbito da Omertà por vários crimes e ficou foragido, até que entrou em contato com o advogado e decidiu se entregar nesta segunda-feira, no Aeroporto Santa Maria.

Após chegar em Campo Grande, Fahd foi escoltado por várias viaturas do Garras até a sede da delegacia, onde deve permanecer. A defesa não informou e disse não saber onde ele estava até o momento. Já o filho de Fahd, Flavinho, que também é considerado foragido, não teria manifestado ainda interesse em se entregar.

Jornal Midiamax