Polícia

Chefe de quadrilha que cavou túnel até banco tem novo pedido de liberdade negado

A defesa de Ernande Pereira da Silva, apontado como chefe da quadrilha responsável pela tentativa de furto à central do Banco do Brasil em Campo Grande, tentou novo pedido de habeas corpus para o réu. Ele está preso preventivamente desde março de 2020 e atualmente está recolhido em uma cela do Presídio de Segurança Máxima […]

Renata Portela Publicado em 07/01/2021, às 15h32

Casa de onde foi escavado o túnel (Foto: Marcos Ermínio, Midiamax)
Casa de onde foi escavado o túnel (Foto: Marcos Ermínio, Midiamax) - Casa de onde foi escavado o túnel (Foto: Marcos Ermínio, Midiamax)

A defesa de Ernande Pereira da Silva, apontado como chefe da quadrilha responsável pela tentativa de furto à central do Banco do Brasil em Campo Grande, tentou novo pedido de habeas corpus para o réu. Ele está preso preventivamente desde março de 2020 e atualmente está recolhido em uma cela do Presídio de Segurança Máxima da Gameleira.

A decisão foi proferida pelo presidente do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), desembargador Paschoal Carmello Leandro. Na peça, é pontuado que a defesa de Ernande pede revogação da prisão ou substituição por medida cautelar, já que o réu integra grupo de risco da Covid-19.

O pedido foi inicialmente negado em primeiro grau e a defesa alegava ainda que há constrangimento ilegal por excesso de prazo. No entanto, para o desembargador não houve tal constrangimento. Isso porque a prisão cautelar foi suficientemente motivada.

Além disso, segundo a peça, é necessária a prisão de Ernande para que a ordem pública seja preservada, diante da periculosidade do réu, para que a soltura não cause sentimento de impunidade, insegurança e temor social. Por se tratar de processo que envolve 16 investigados, o desembargador também entendeu que não há que se falar em excesso de prazo, dada a complexidade da ação penal.

Com isso, foi negado no dia 25 de dezembro de 2020 o pedido de habeas corpus ao réu. O processo que trata da tentativa de furto atualmente corre em sigilo.

Chefe da quadrilha

Chefe de quadrilha que cavou túnel até banco tem novo pedido de liberdade negado
Túnel foi escavado de residência até o banco (Arquivo)

As investigações do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assalto e Sequestro), que perduraram por mais de 6 meses, detalharam como a quadrilha agia em Campo Grande. Além de Ernande, outros três homens integrariam o ‘Núcleo Duro’, que comandava a organização criminosa. Esses outros três foram apontados como autores de pelo menos três roubos a bancos em Campo Grande, sendo o primeiro em 2016, quando dois deles entraram no Banco do Brasil da Avenida Afonso Pena e levaram mais de R$ 1 milhão.

Também foram apontados como autores de tentativa de roubo a uma agência da Caixa na Avenida Mato Grosso em novembro de 2018 e assalto na agência da Avenida Gunter Hans, oportunidade em que levaram R$ 300 mil. Caso conseguissem concluir o último furto no fim de 2019, eles levariam R$ 200 milhões em valores e cheques.

A investigação apontou que, mesmo declarando ser morador no interior de São Paulo, ‘Véio’ foi visto em várias ocasiões em Campo Grande, em endereços pontuais utilizados pela organização criminosa, inclusive se reunindo com os outros membros. Os veículos usados pela quadrilha também entregaram os envolvidos. Ernande ainda seria quem levou o caminhão até a casa onde parte da quadrilha foi presa em flagrante e o veículo seria utilizado no transporte do valor furtado, aponta o inquérito policial.

Tentativa frustrada de furto

Naquela noite do dia 21 de dezembro, os policiais do Garras estavam na região do Coronel Antonino, onde fica localizada a casa usada para escavação do túnel. Os investigadores perceberam movimentação no local e decidiram fazer a atuação para desmantelar a organização criminosa.

Já por volta da 1 hora do dia 22, a equipe voltou ao local e percebeu um grupo deixando a casa em um caminhão e uma Hilux. A equipe viu os automóveis na Rua Dolor Ferreira de Andrade, na esquina com a Rua do Rosário, quando foi feita a primeira abordagem. O motorista do caminhão jogou o veículo contra um dos policiais e a ação foi revidada a tiros.

Ele ainda conseguiu fugir num primeiro momento e em seguida foi feita abordagem aos ocupantes da Hilux, que estavam com pistolas em punho e atiraram contra os policiais. Os disparos foram revidados e eles chegaram a ser encaminhados para a Santa Casa, deram entrada na área vermelha, mas não resistiram aos ferimentos.

Os policiais conseguiram localizar o condutor do caminhão já nas proximidades da Santa Casa, buscando por atendimento médico. Ele foi preso em flagrante. As equipes fizeram buscas na casa no Zé Pereira e prenderam mais cinco envolvidos. Já em outra casa na Rua Iguassu, no Amambaí, foi detido um homem. Com ele foram apreendidos vários aparelhos celulares, entre outros aparatos.

Os integrantes da organização criminosa foram apresentados em coletiva de imprensa pelo delegado responsável, que também mostrou junto de equipes de policiais do Garras o túnel escavado pelos criminosos, que responderão por roubo majorado.

Jornal Midiamax