Polícia

Após 6 meses sem ver filho, mãe descobre que garoto foi estuprado dentro da Unei Dom Bosco

Rapaz foi cercado, agredido e estuprado por colegas de cela

Danielle Errobidarte Publicado em 19/04/2021, às 17h29

Caso ocorreu na Unei Dom Bosco.
Caso ocorreu na Unei Dom Bosco. - (Foto: Arquivo Midiamax)

Há quase seis meses, a mãe do garoto que foi estuprado dentro da Unei (Unidade Educacional de Internação) Dom Bosco, em Campo Grande, na última quinta-feira (15), recebeu uma notícia pior do que a apreensão do filho. O rapaz, agora com 18 anos, foi cercado, agredido e estuprado por colegas que dividiam o alojamento 1, na Ala D, da maior unidade de apreensão do Estado.

Um agente de segurança contou que, por volta das 20h30, ouviu gritos vindos do alojamento e, ao chegar, a briga já havia sido apartada. O garoto relatou ter sido estuprado pelos colegas, que ainda o obrigaram a abaixar o short e teriam dito “vamos fazer com você o que fizeram com o mascotinho” – se referindo a outro caso de estupro de menor de idade.

A mãe afirma não ter visto o filho durante os quase seis meses de apreensão. Em outubro de 2020, já durante a pandemia de Covid-19, ele foi pego junto a outros rapazes maiores de idade, roubando uma motocicleta. Há três meses o juiz determinou que ele fosse transferido para a Unei Dom Bosco, onde cumpre a pena do crime análogo à roubo, previsto pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

A mãe ficou sabendo do caso de estupro pela reportagem do Jornal Midiamax. Ainda assustada, procurou a assistência social da Unei e foi informada de que “se tratava apenas de uma briga, mas o garoto passava bem”. Ao questionar sobre o porquê de não ter sido avisada do ocorrido com seu filho, recebeu como resposta que “não tinha atendido o telefone quando fizeram contato”.

“Desde que ele entrou lá eu nunca mais o vi, fora uma vez, quando fui levar comida para ele. Não estão deixando entrar por causa da pandemia. Eu como mãe fico desesperada, não sei o que fazer”, relata.

A mulher – que não será identificada para preservar os envolvidos, que incluem menores de idade – diz não ter condições financeiras de procurar um advogado. “Não sei se consigo tirar ele de lá. A defensoria está funcionando?”, questiona à reportagem. Ela aguarda um segundo contato, prometido pela assistência social da Unei Dom Bosco e pretende procurar a delegacia responsável pelo caso, a DEAIJ (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude).

O que diz a Unei

Conforme informado pela Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), responsável pela Uneis no Estado, “de imediato todas as providências foram tomadas e o Socioeducando (vítima) foi encaminhado para o atendimento médico, delegacia de polícia, onde foi registrado Boletim de Ocorrência, bem como para o IML (Instituto Médico Legal)”.

A nota prossegue alegando que “atualmente o adolescente já passou por atendimento da equipe multidisciplinar da Unidade”. Uma sindicância preliminar foi instaurada para apurar os fatos.

Jornal Midiamax