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Pistoleiro abatido: Polícia do RN quer saber se Zezinho tinha contato com investigados de MS

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte apura se o pistoleiro José Moreira Freires, o Zezinho, morto em confronto na tarde desta segunda-feira (14), em Lagoa de Pedra (RN), usava intermediários para falar com chefe da organização criminosa a qual pertencia, que encontra-se preso no Presídio Federal de Mossoró (RN). Zezinho era investigado por […]

Renan Nucci Publicado em 15/12/2020, às 16h40 - Atualizado em 16/12/2020, às 08h11

José Moreira Freires, durante julgamento da morte de Paulo Magalhães. (Arquivo Midiamax)
José Moreira Freires, durante julgamento da morte de Paulo Magalhães. (Arquivo Midiamax) - José Moreira Freires, durante julgamento da morte de Paulo Magalhães. (Arquivo Midiamax)

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte apura se o pistoleiro José Moreira Freires, o Zezinho, morto em confronto na tarde desta segunda-feira (14), em Lagoa de Pedra (RN), usava intermediários para falar com chefe da organização criminosa a qual pertencia, que encontra-se preso no Presídio Federal de Mossoró (RN). Zezinho era investigado por envolvimento em execuções em Campo Grande e era procurado pela Interpol.

O delegado Eric Gomes da Silva, da Deicor (Divisão Especializada de Investigação e Combate ao Crime Organizado), responsável pela incursão que terminou na morte do pistoleiro, disse que o mesmo estava naquele Estado por conta da proximidade com Jamil Name e outros três investigados no âmbito da Operação Omertà, que encontram-se recolhidos em Mossoró. A suspeita é de que usavam terceiros para trocar informações.

Neste sentido, a polícia solicitou ao Depen (Departamento Penitenciário Nacional) relatório de visitas, a fim de identificar possíveis envolvidos. Nem mesmo advogados estão descartados. “Um dos motivos da presença dele aqui era a proximidade com o senhor Jamil Name. Por isso, encaminhamos o pedido ao Depen e vamos apurar os advogados”, explicou. O Deicor também investiga outras duas pessoas que vinham falando com Zezinho.

O objetivo é descobrir se elas tinham conexão com os Name ou se estavam envolvidas com a suposta contratação de crime de pistolagem. Eric pontuou que Zezinho vivia em uma propriedade rural, onde funcionava um laboratório de produção de crack. Lá foram encontradas anotações de venda de drogas, bem como registros de conversas sobre a execução de um membro do Tribunal de Justiça ou Ministério Público daquele Estado.

“Ele seria contratado pelo valor seria de R$200 mil, mas ainda estamos apurando se chegou a haver contratação ou se foi especulação”. O delegado explicou ainda que o MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública) informou que Zezinho estaria no Rio Grande do Norte e acionou policiais civis do Deicor. Durante a captura, ele resistiu, foi baleado e morreu após ser socorrido. Com ele havia uma pistola .40 roubada da Polícia Civil do Rio Grande do Norte. Foram encontrados também dois carregadores roubados da Polícia Civil da Paraíba. 

Procurado

Zezinho era acusado de participar da execução do delegado Paulo Magalhães, ocorrida em junho de 2013, na Rua Alagoas, em Campo Grande. Ele chegou a ser condenado a 18 anos e seis meses de prisão, mas fugiu. A ele também era atribuída a morte do estudante de direito Matheus Coutinho Xavier, assassinado a tiros por engano no ano passado, no lugar do pai, o ex-capitão da Polícia Militar Paulo Roberto Teixeira Xavier.

Nestes dois crimes, Zezinho teve ajuda de Juanil Miranda Lima, também ex-guarda municipal. Ambos estão entre os mais procurados do país conforme o MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública), e tiveram os nomes encaminhados para inclusão na lista vermelha da Interpol, para que pudessem ser presos por qualquer força policial do país em que estivessem.

Omertà

A Operação Omertà teve a primeira fase deflagrada em setembro de 2019, para desarticular organização criminosa ligada a execuções em Campo Grande, liderada supostamente por Jamil Name e Jamil Name Filho.

A ação foi desencadeada pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Bancos, Assaltos e Sequestros) e Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público Estadual. A operação teve mais cinco fases e a última delas, realizada recentemente, atingiu o jogo do bicho.

Jornal Midiamax