Polícia

Omertà: Agiotas cobravam juros de 20% ao mês e sacavam cheques sem avisar devedor

A organização criminosa investigada no âmbito da Operação Omertà por por execuções em Campo Grande, também atuava com agiotagem e extorsão. O grupo cobrava juros de 20% ao mês e sacava cheques antes do prazo sem avisar os devedores. Eles usavam capangas armados para ameaçar e extorquir as vítimas. Tal conduta foi alvo da Operação […]

Renan Nucci Publicado em 08/10/2020, às 14h01 - Atualizado em 09/10/2020, às 08h04

(Foto: Renata Portela, Midiamax)
(Foto: Renata Portela, Midiamax) - (Foto: Renata Portela, Midiamax)

A organização criminosa investigada no âmbito da Operação Omertà por por execuções em Campo Grande, também atuava com agiotagem e extorsão. O grupo cobrava juros de 20% ao mês e sacava cheques antes do prazo sem avisar os devedores. Eles usavam capangas armados para ameaçar e extorquir as vítimas. Tal conduta foi alvo da Operação Snowball, desdobramento da Omertà, deflagrada na quarta-feira (07).

Conforme apurado pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Bancos, Assaltos e Sequestros) e Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), um empresário e a esposa pegaram certa quantia em dinheiro emprestada junto ao grupo, entre novembro de 2012 e outubro de 2013, para a construção de imóveis residenciais enquanto aguardavam concessão de crédito bancário.

Os agiotas se aproveitaram da situação para cobrar juros de  20%. Como “caução’, exigiram lâminas de cheque que passaram a ser depositados nas contas de terceiros e descontados na boca do caixa deliberadamente, sem que as vítimas concordassem. O empresário passou a ser ameaçado e foi coagido a pagar os valores antes do combinado. Um dos chefes da organização passou a atribuir ao casal, somando os juros, dívida superior a R$ 1 milhão e começou a ameaçá-los exigindo bens.

As vítimas repassaram direitos de uma área em construção à quadrilha, pois os criminosos entendiam que, se haviam emprestado dinheiro para a obra, então a obra lhes pertencia. O chefe do esquema tentou vender a área, não conseguiu e obrigou o casal a entregar outro bem como garantia de que a dívida seria paga. Usando arma de fogo, um capanga ordenou que o casal cedesse direitos da residência de sua família.

O casal acabou entregando a casa, localizada no bairro São Bento, que foi usada pela organização para armazenar o arsenal de grosso calibre apreendido no ano passado pelo Garras e pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar, e que resultou na deflagração da Operação Omertà. Ainda de acordo com as vítimas, as cobranças abusivas continuaram até 2016. São investigados Jamil Name, Jamil Name Filho, Juanil Miranda Lima, Benevides Cândido Pereira, Euzébio de Jesus Araújo e Ademir Santana.

Jornal Midiamax