Polícia

Após morte de florista, delegada reforça importância de denunciar agressor

Após a morte de Regiane Fernandes de Farias, de 39 anos, assassinada pelo ex-namorado no sábado (18) em Campo Grande, a polícia reforça a importância das vítimas de violência doméstica denunciarem os agressores na primeira ameaça, no primeiro sinal de violência. O acusado, de 57 anos, continua na Santa Casa e deve ser preso preventivamente. […]

Renata Portela Publicado em 20/01/2020, às 10h42 - Atualizado em 21/01/2020, às 07h20

Florista já havia sofrido violência por parte do ex-namorado (Leonardo França, Midiamax)
Florista já havia sofrido violência por parte do ex-namorado (Leonardo França, Midiamax) - Florista já havia sofrido violência por parte do ex-namorado (Leonardo França, Midiamax)

Após a morte de Regiane Fernandes de Farias, de 39 anos, assassinada pelo ex-namorado no sábado (18) em Campo Grande, a polícia reforça a importância das vítimas de violência doméstica denunciarem os agressores na primeira ameaça, no primeiro sinal de violência. O acusado, de 57 anos, continua na Santa Casa e deve ser preso preventivamente.

A delegada titular da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), Fernanda Félix, afirmou que o acusado, já preso em flagrante e sob escolta policial no hospital, deve ter a prisão em flagrante convertida em preventiva. Ele responderá por feminicídio (homicídio qualificado pela violência doméstica) e porte e posse irregular de arma de fogo.

A florista ainda não havia registrado nenhum boletim de ocorrência contra o ex, mas a delegada acredita que ela sofria violência doméstica. Amigos chegaram a relatar que ela reclamava de ciúmes e possessão por parte do homem, com quem conviveu menos de um ano e terminou em novembro. “O homem tem que respeitar sua ex e para os que não aceitam fim do relacionamento, que praticam violência doméstica, existe o vigor da lei”, afirmou.

A titular da delegacia que registrou só em 2019 8.086 boletins de ocorrência por violência doméstica, ressaltou a importância de denunciar o agressor logo no primeiro fato. Uma ameaça, um empurrão, uma agressão, tudo aquilo que configure violência física ou psicológica deve ser denunciado para a polícia. “É como um ciclo que, se a mulher não denuncia, pode acabar com um feminicídio”, afirmou a delegada Fernanda.

De 2018 para 2019 houve um aumento significativo no registro de boletins de ocorrência, de 7.415 para 8.086 segundo os dados da polícia. O fato pode estar ligado ao encorajamento das vítimas para que denunciem. Em Campo Grande os números de feminicídio reduziram de 7 em 2018 para 5 em 2019. Em todo o Estado foram registrados 18.689 casos de violência doméstica, praticamente 51 casos por dia.

Ainda conforme a delegada, em casos de reincidência o homem agressor pode passar a ser monitorado pela polícia, o que ajuda na proteção das vítimas, assim como as medidas protetivas. A pena para o feminicídio é uma das maiores, que varia de 12 a 30 anos de reclusão e os crimes enquadrados na Lei Maria da Penha são os que mais mantêm os acusados presos.

Primeiro feminicídio de 2020

O primeiro caso registrado de morte por violência doméstica em Campo Grande ocorreu no último sábado (18). Ela chegava para trabalhar na floricultura, quando o ex chegou ao local armado e atirou. A vítima foi atingida por disparos no pescoço e chegou a ser encaminhada para a Santa Casa de Campo Grande.

A vítima passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e morreu por volta das 17 horas. O autor dos disparos, de 57 anos, tentou se matar com um tiro na região do ouvido, mas foi socorrido e não corre risco de morrer.

Jornal Midiamax