Polícia

Omertà revela suposta propina para delegado segurar investigação

Investigações da polícia revelaram que o ex-guarda municipal Marcelo Rios, preso em maio deste ano com um arsenal de guerra em uma casa pertencente a Jamil Name e Jamil Name Filho, entregaria R$ 100 mil a um delegado de Polícia Civil, dias depois ao assassinato do chefe de segurança da Assembleia Legislativa e sargento da […]

Dayene Paz Publicado em 03/10/2019, às 14h55 - Atualizado em 04/10/2019, às 15h44

Ilson foi executado em junho do ano passado (Foto: Arquivo, Midiamax)
Ilson foi executado em junho do ano passado (Foto: Arquivo, Midiamax) - Ilson foi executado em junho do ano passado (Foto: Arquivo, Midiamax)

Investigações da polícia revelaram que o ex-guarda municipal Marcelo Rios, preso em maio deste ano com um arsenal de guerra em uma casa pertencente a Jamil Name e Jamil Name Filho, entregaria R$ 100 mil a um delegado de Polícia Civil, dias depois ao assassinato do chefe de segurança da Assembleia Legislativa e sargento da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Ilson Martins Figueiredo.

De acordo com relato de uma mulher, que terá a identificação preservada, Marcelo teria recebido uma ligação, poucos dias depois da morte de Ilson, na qual ele afirmava que iria na delegacia entregar o dinheiro, R$ 100 mil, em mãos para o delegado. Ainda revelou que o motivo do assassinato de Ilson, em junho de 2018, seria pela morte de Daniel Alvarez Georges, 43 anos, filho de Fahd Jamil. O chefe de segurança foi acusado de ‘sumir’ com Daniel em maio de 2011 e o corpo nunca foi localizado.

Na época da execução do chefe da segurança Ilson Figueiredo, quem comandava a DEH (Delegacia Especializada de Homicídios) era o delegado Márcio Oshiro Obara. Ele foi substituído do comando da delegacia em julho de 2018, voltando para a função em abril de 2019.

Já no dia 1º de outubro deste ano, após a prisão de Jamil Name e o desmantelamento da milícia de execuções em Campo Grande, o delegado Márcio Oshiro Obara foi removido com prejuízo de suas funções para atuar na Delegacia Regional de Ponta Porã.

O Jornal Midiamax entrou e contato com a assessoria da Polícia Civil em Mato Grosso do Sul, que classificou como ‘inverídica’ a denúncia de propina que consta no processo da Omertà.

Em atenção ao questionamento em apreço, esclarecemos que a investigação em questão é realizada pelo GAECO com apoio total da Policia Civil MS e baseado em provas obtidas dentre outras, por meio em 03(três) inquéritos policiais que tramitam no GARRAS/PC/MS onde força tarefa atua permanentemente.

Frise-se que as apurações seguem em segredo de Justiça, de modo que não cabe à Policia Civil falar neste momento em nome daqueles que efetivamente investigam o caso.

Cabe ressaltar que a Polícia Civil irá solicitar formalmente ao Poder Judiciário o compartilhamento de provas obtidas licitamente as quais de alguma forma possam fornecer subsídios para instauração de respectiva apuração administrativa e criminal por parte da Corregedoria Geral da Polícia Civil de eventuais participações ilícitas de servidores desta Instituição.

Por oportuno, necessário esclarecer que com base nos dados disponibilizados pelo GAECO em fonte aberta e que se tornaram públicas por meio da imprensa local, de fato, a argumentação do investigado MARCELO RIOS acerca da entrega de R$100 mil em mãos a um Delegado da Polícia Civil, “é inverídica” eis que já fora esclarecida pelo próprio MARCELO RIOS, restando apurado que de fato, os valores seriam entregues “a alguém” para executar um Delegado de Polícia Civil.”

Ex-guarda era intermediário de crimes

A mulher confirmou em depoimento à polícia, que Marcelo Rios participou de todas as execuções do grupo, atuando como intermediário. Era ele quem contratava as equipes que iriam cometer os homicídios. O depoimento também revelou que Marcelo ficou nervoso, antes e depois dos homicídios de Ilson Martins, Marcel Costa Hernandes Colombo, Orlando da Silva Fernandes e Matheus Coutinho.

Dias depois do assassinato de Matheus, a mulher relatou que viu as armas, posteriormente apreendidas pela polícia, dentro do carro Fiat Uno pertencente a Marcelo Rios. Matheus foi assassinado por engano, já que o alvo seria o pai dele, o policial militar Paulo Roberto Teixeira Xavier, por desavenças envolvendo propriedades rurais.

Operação Omertà

O Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), com apoio dos Batalhões de Choque e o Bope (Batalhão de Operações Especiais) da Polícia Militar, cumpriram mandados de prisão preventiva, prisão temporária e 21 mandados de busca e apreensão, nas cidades de Campo Grande e Bonito.

A ação levou a prisão, além de Jamil Name e Jamil Name Filho, de policiais civis, guardas, policial federal e até militar do Exército, suspeitos de integrarem uma organização criminosa voltada à prática dos crimes de milícia armada, porte ilegal de armas de fogo de uso restrito, homicídio, corrupção ativa e passiva, entre outros crimes.

As investigações do Gaeco tiveram início em abril deste ano, com o objetivo de apoiar as investigações dos homicídios de Ilson Martins, Orlando da Silva e Matheus Coutinho, conduzidas pelo Garras.

Jornal Midiamax