Polícia

Morte de empresário por PRF em briga de trânsito vai a júri nesta quinta

Flambadores possivelmente plantados, fraude, quebra de sigilo telefônico de peritos da Polícia Civil, partes do processo de uma briga de trânsito que terminou na morte do empresário Adriano Correa, em 31 de dezembro de 2016. O autor dos disparos que mataram Adriano, um PRF (Policial Rodoviário Federal), Ricardo Hyun Soo Moon. O julgamento acontece 2 […]

Thatiana Melo Publicado em 08/04/2019, às 11h17

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Flambadores possivelmente plantados, fraude, quebra de sigilo telefônico de peritos da Polícia Civil, partes do processo de uma briga de trânsito que terminou na morte do empresário Adriano Correa, em 31 de dezembro de 2016. O autor dos disparos que mataram Adriano, um PRF (Policial Rodoviário Federal), Ricardo Hyun Soo Moon.

O julgamento acontece 2 anos e 4 meses depois da morte de Adriano, que morreu na Avenida Ernesto Geisel, esquina com a Rua 26 de Agosto, depois de uma briga de trânsito com o policial rodoviário federal. O empresário estava no carro com mais um homem e um adolescente na época dos fatos. O crime aconteceu às 5h40 da manhã quando o trio voltava de uma boate.

O policial acabou indiciado pelo crime de homicídio e respondeu ao processo em liberdade. Durante o processo, uma perita que teve a quebra do sigilo telefônico permitido pela Justiça teria relatado a possível fraude dos flambadores plantados.

Flambadores

No dia 4 de julho de 2017, um dos peritos do Instituto de Criminalística questionou o trabalho da profissional responsável pelo caso por um grupo de WhatsApp. A perita então teria convidado o colega de trabalho para ir até a Hilux e discutir o suposto uso da técnica ‘double tap’, um duplo toque no gatilho, mas ao abrirem a porta dianteira do passageiro, “visualizaram de forma escancarada” os maçaricos.

O caso foi denunciado à corregedoria e todos os envolvidos foram ouvidos. Na segunda audiência sobre a morte de Adriano, que aconteceu em abril, a perita reforçou que os flambadores só foram encontrados depois que o colega colocou a perícia em prova.

Em depoimento, a mulher alegou que o colega sempre teve muitas informações que nem os profissionais que estavam no caso tinham conhecimento e que ele até teria dito que “é amigo pessoal do advogado do acusado”, Renê Siufi. Ela ainda afirmou que tinha como provar as informações graças as conversas no aplicativo de mensagens.

Após isso, foi feito o pedido de quebra do sigilo telefônico e a Corregedoria de Polícia Civil passou a investigar a possível fraude, no caso dos flambadores.

A quebra do sigilo

No dia 12 de julho de 2017, se dizendo indignado com a acusação da perita, que deu a entender que a ordem para implantar as provas partiu a defesa do policial, o advogado Renê Siufi enviou o pedido ao juiz para que as conversas extraídas da quebra do sigilo telefônico sejam confrontadas com as mensagens do aparelho do perito que supostamente seria seu amigo, através de cópia do conteúdo.

O pedido foi aceito, e o juiz, então, determinou que o perito que questionou o trabalho feito no veículo entregasse o aparelho celular e o chip “imediatamente ao instituto de criminalística”.

Sobre o inquérito da fraude processual foi concluído que os objetos teriam sido ‘plantados’ na camionete Hilux do empresário Adriano Correa, “Ocorre que, diante das provas carreadas aos autos, restou incontroverso que os referidos objetos não estavam na camionete Hilux, conduzida pela vítima Adriano Correia do Nascimento, no momento dos fatos. Trata-se de fato superado. Claro que a colocação criminosa desses flambadores no interior do veículo Toyota Hilux, quando se encontrava perito para realização de perícia, constitui fato gravíssimo, mas que constitui delito autônomo e que está sendo apurado em inquérito policial distinto”.

O caso

Ricardo Sun Moon passou de policial a réu na madrugada do dia 31 de dezembro 2016, quando envolveu-se em uma confusão no trânsito, e atirou contra Adriano e as outras duas pessoas que estavam com ele no carro, Agnaldo Espinosa da Silva e o enteado de 17 anos. O empresário morreu na hora. Moon alegou legítima defesa, versão que não prosperou nem no inquérito da Polícia Civil nem na análise do Ministério Público Estadual.

Uma reconstituição com todos os envolvidos e também testemunhas foi realizado no dia 11 de janeiro de 2017. Na data, Moon estava preso em virtude a um mandado de prisão preventiva, mas no dia 1º de fevereiro, ele ganhou a liberdade.

Duas audiências já foram realizadas e o policial ouvido. Em depoimento ele mantém a versão de que seria atropelado e só por isso atirou no empresário. O policial também afirma que se apresentou como policial e que estava com a ‘vestimenta sereia’, ou seja, metade fardado e metade à paisana, é um procedimento de praxe na corporação.

Jornal Midiamax