Polícia

Emha para construção de casas populares após ameaça de suposto membro do PCC

Programas habitacionais desenvolvidos pela Prefeitura de Campo Grande, que envolvem a construção de casa populares no Loteamento Bom Retiro, na região da Vila Nasser, foram suspensos por tempo indeterminado nesta segunda-feira (03), depois que dois instrutores foram ameaçados de morte por um dos beneficiários, um homem de 30 anos supostamente ligado ao PCC (Primeiro Comando […]

Renan Nucci Publicado em 03/06/2019, às 17h48 - Atualizado em 04/06/2019, às 08h52

Foto: Arquivo
Foto: Arquivo - Foto: Arquivo

Programas habitacionais desenvolvidos pela Prefeitura de Campo Grande, que envolvem a construção de casa populares no Loteamento Bom Retiro, na região da Vila Nasser, foram suspensos por tempo indeterminado nesta segunda-feira (03), depois que dois instrutores foram ameaçados de morte por um dos beneficiários, um homem de 30 anos supostamente ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital). A medida visa garantir a segurança dos profissionais e de moradores, em função da gravidade das ameaças.

Conforme apurado, A Emha (Agência Municipal de Habitação) realiza o programa Ação Casa Pronta com apoio da Funsat (Fundação Social do Trabalho), por meio do Proinc (Programa de Inclusão Profissional), com objetivo de reassentar moradores da antiga Cidade de Deus. A ação consiste em colocar os beneficiados para trabalhar no canteiro de obras, pois ao mesmo tempo constroem sua moradia social e aprendem uma profissão. Em contrapartida, recebem salário, cesta básica e vale transporte.

Nesta manhã, um arquiteto de 39 anos que presta serviços para a prefeitura, orientando os trabalhos no canteiro, procurou a 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital para registrar boletim de ocorrência. A vítima detalhou que o suspeito, que até então participava normalmente das aulas com os demais alunos, foi flagrado em local indevido. O arquiteto então pediu para que o homem voltasse para seu grupo e retomasse o trabalho, ocasião que passou a ser atacado.

Conforme o registro policial, o suspeito começou a berrar e a ameaçá-lo de morte. “Estou cheio de pó na cabeça e vou explodir sua cabeça”, teria dito. Diante dos fatos, a vítima formalizou a denúncia. Em seguida, outro professor também foi ameaçado e procurou a polícia. Diante dos fatos, a Emha optou pela suspensão do Ação e das atividades relacionadas ao Proinc – este programa segue normalmente em outros locais. “Antes de mais nada tenho que pensar na vida de pessoas inocentes do local”, disse Enéas Netto, diretor-presidente da Emha.

“Eu não sei com que tipo de pessoa estou lidando, mas ao que parece é um indivíduo perigoso. Na condição de gestor, não pensando só nos funcionários, mas nas demais vidas, até porque ali moram famílias com mães e crianças inocentes, decidimos suspender os programas”, destacou ele, informando que vai se reunir com outras secretarias municipais, incluindo a pasta da Segurança Pública, para definir os próximos passos.

Enéas também deve se reunir com a Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública). “Temos que pensar no que vamos fazer, se vamos desligar ou não esse rapaz. Também temos que rever os prazos das obras e nos impactos que essa paralisação vai causar. Não podemos esquecer dos trabalhadores beneficiados. Eles não devem ser prejudicados por conta da ação de um só. Vamos pensar com cuidado no que fazer”.

Perigoso

Em 2015, o suspeito foi preso pela Deco (Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado) por, juntamente com a esposa, articular a execução do agente penitenciário Hudson Moura da Silva, em outubro de 2011, na Vila Sobrinho, em Campo Grande. As investigações apontaram que ele era uma das lideranças do PCC. O agente foi morto com dois disparos de pistola .40 que o atingiram no tórax e no ombro, durante o trabalho.

Jornal Midiamax