Polícia

Reforço policial e torcida organizada: começa júri de PRF que matou em briga de trânsito

Reforço policial, camisetas de apoio e fila para entrar no plenário do Fórum de Campo Grande marcam esta quinta-feira (11), quando vai a julgamento o policial rodoviário federal, Ricardo Hyun Soo Moon, pelo assassinato do empresário Adriano Correa, morto a tiros no dia 31 de dezembro de 2016. Cerca de 70 policiais, entre eles, vários […]

Thatiana Melo Publicado em 11/04/2019, às 08h23 - Atualizado às 13h39

Colegas do policial rodoviário organizaram até lanche coletivo na frente do Fórum (Minamar Júnior)
Colegas do policial rodoviário organizaram até lanche coletivo na frente do Fórum (Minamar Júnior) - Colegas do policial rodoviário organizaram até lanche coletivo na frente do Fórum (Minamar Júnior)

Reforço policial, camisetas de apoio e fila para entrar no plenário do Fórum de Campo Grande marcam esta quinta-feira (11), quando vai a julgamento o policial rodoviário federal, Ricardo Hyun Soo Moon, pelo assassinato do empresário Adriano Correa, morto a tiros no dia 31 de dezembro de 2016.

Cerca de 70 policiais, entre eles, vários policiais rodoviários federais chegaram por volta das 6 horas da manhã desta quinta (11) para conseguirem entrar no fórum, que tem lotação máxima. Uma fila se formou em frente ao prédio. Reforço policial foi chamado para o local.

O presidente do Sinprf/MS (Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais de Mato Grosso do Sul), Ademilson de Souza Benites, disse que o que aconteceu não foi uma briga de trânsito, e sim um procedimento policial. “Com todo respeito à família, a ação foi policial no estrito cumprimento do dever”, falou.

Nas camisetas usadas pelos policiais está escrito, “Estamos com você Moon. Justiça seja feita”. O policial é julgado depois de 2 anos e 4 meses da morte de Adriano Correa. A mãe do empresário bem abalada só disse que espera por Justiça, “Este júri representa muita dor e saudades do Adriano. Tinha de prendê-lo e não mata-lo”.

Moon foi acusado de homicídio qualificado, por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima, e duas tentativas de homicídio com as mesmas qualificadoras.

A defesa do réu solicitou a absolvição sumária do acusado, alegando legítima defesa. O juiz rejeitou o pedido da defesa para que o processo tramitasse na justiça federal, sob o argumento de que, no momento dos fatos, o acusado teria agido na condição de policial rodoviário federal.

Relembre o caso

No dia 31 de dezembro de 2016, por volta das 5h40 da manhã, na Avenida Ernesto Geisel, esquina com a Rua 26 de Agosto, o policial atirou no empresário e tentou matar outras duas pessoas.

Ricardo Moon se deslocava para o trabalho em Corumbá, conduzindo o veículo Pajero TR4, enquanto a vítima dirigia a camionete Toyota Hilux, acompanhada das vítimas, no banco traseiro, e também no banco ao lado do motorista.

Conforme a denúncia, ao fazer conversão à direita, Adriano não percebeu a proximidade com o veículo do acusado e quase provocou um acidente de trânsito. Ato contínuo, o acusado abordou as vítimas, descendo do veículo, identificando-se como policial e chamou reforço.

As vítimas chegaram a descer do carro e solicitaram que o acusado mostrasse sua identificação visto que, pela vestimenta que trajava, não era possível saber se era mesmo policial rodoviário federal. Diante da recusa do acusado, eles retornaram ao carro e Adriano ligou a camionete iniciando manobra para desviar do veículo do réu, que estava impedindo sua passagem.

Quando iniciou o deslocamento, o policial efetuou disparos na direção do carro, que se chocou com um poste de iluminação. Após o choque, uma das vítimas saltou do carro e viu que fraturou alguns membros, enquanto a outra vítima foi atingida por disparos. O motorista foi atingido e faleceu no local.

O réu foi pronunciado em agosto de 2017. Houve interposição de recurso ao TJMS que, por maioria de votos, negou provimento, mantendo a decisão de pronúncia. A defesa do acusado ingressou então com recurso especial. Como a jurisprudência não impede a realização do júri, após decisão em 2ª instância confirmar a pronúncia, decidiu então o juiz que o processo deve retomar o seu curso regular, com a designação da sessão do tribunal do júri.

Jornal Midiamax