Polícia

Testemunhas contam versão diferente sobre morte de Adriano por PRF

Defesa de policial diz que está tranquila 

Clayton Neves Publicado em 05/04/2017, às 19h16

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Defesa de policial diz que está tranquila 

Desencontro nos depoimentos prestados marcou a primeira audiência do processo do policial rodoviário federal Ricardo Hyun Su Moon, 47 anos, que matou o empresário Adriano do Nascimento Correia do Nascimento, de 32, depois de briga de trânsito no dia 31 de dezembro. Ao todo, seis testemunhas e uma vítima foram ouvidas na tarde desta quarta-feira (5), na 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.

O ponto alto das divergências se deu após depoimento de Agnaldo Espinosa da Silva, 48 anos, que estavam no carro de Adriano no dia do crime. De acordo com Agnaldo, somente ele havia saído da caminhonete Toyota Hilux do empresário no momento do desentendimento com o policial. No entanto, as seis testemunhas ouvidas contrariaram a afirmação e garantiram que Agnaldo, Adriano e o adolescente de 17 anos desceram do automóvel.

Outro ponto controverso que será usado a favor da defesa de Moon é a alegação de uma das testemunhas que afirmou ter ouvido os disparos de arma de fogo somente depois do ‘cantar’ dos pneus nos asfalto, o que para a defesa reforça a versão de que o policial atirou no empresário para se defender.

Ao fim da audiência, o advogado Renê Siufi,que representa Ricardo Moon, afirmou que a defesa está “tranquila” e que “a verdade começou a aparecer”. “As testemunhas desmistificaram o que o Agnaldo disse e a versão de que o Ricardo já desceu do carro com arma e ameaçando”, disse.

Conforme o advogado, um vídeo em que os três ocupantes da caminhonete aparecem bebendo será anexado ao processo. “Eles começaram a beber às 20 horas, saíram da boate 5h30 e o Agnaldo diz que não estavam embriagados, mas tem uma gravação em que todos estão bebendo e vou juntar no processo”, explica Siufi.

Oito pessoas estavam programadas para serem ouvidas nesta terça-feira (5), sendo elas, duas vítimas que estavam no carro e seis testemunhas de acusação, porém, uma divergência de endereços impediu que a intimação chegasse à vítima, de 17 anos.

Os dados foram atualizados, nesta quarta-feira, e o juiz Carlos Alberto Garcete definiu a audição do jovem para o próximo dia 12 de março, quando o próprio réu e as testemunhas de defesa serão ouvidas.

O crime

Ricardo Sun Moon passou de policial a réu na madrugada do dia 31 de 2016, quando envolveu-se em uma confusão no trânsito, e atirou contra Adriano e as outras duas pessoas que estavam com ele no carro, Agnaldo Espinosa da Silva e o enteado de 17 anos. O empresário morreu na hora. Moon alegou legítima defesa, versão que não prosperou nem no inquérito da Polícia Civil nem na análise do Ministério Público Estadual.

Uma reconstituição com todos os envolvidos e também testemunhas foi realizado no dia 11 de janeiro de 2017. Na data, Moon estava preso em virtude a um mandado de prisão preventiva, mas no dia 1º de fevereiro, ele ganhou a liberdade. Em resposta, o MPE entrou com recurso pedindo que o policial fosse novamente preso e também respondesse pelo crime de fraude processual, o que foi negado pelo magistrado em despacho anterior.

Ainda assim, a denúncia feita pelo MPE pelo homicídio já foi aceita e o processo segue até que o juiz decida se o policial vai ou não a júri popular pelos crimes contra a vida dos quais é acusado.

Jornal Midiamax