Polícia

PM que matou colega de farda alega ter sido chamado para resolver ‘treta do carro’

Vítima tentava reaver veículo após negócio mal resolvido

Midiamax Publicado em 03/07/2017, às 19h41

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Vítima tentava reaver veículo após negócio mal resolvido

O sargento da PM César Diniz da Silva, de 43 anos, suspeito de assassinar o tenente João Miguel Além Rocha, de 50 anos, no fim de semana, prestou depoimento na 2ª Delegacia de Polícia Civil, na tarde desta segunda-feira (3). À polícia, o militar alega que foi ‘chamado’ para resolver a situação.

Antes de se dirigir à delegacia, o sargento prestou esclarecimentos na Corregedoria da PM, e por isso, passou despercebido pela imprensa ao chegar em uma viatura. O advogado chegou logo depois e ressaltou que o cliente não conhecia a vítima e está “desolado” com o ocorrido.

“Ele não conhecia a vítima. No dia do crime algumas pessoas pretendiam levar o carro do qual não eram donas, em um guincho, ele tentou conversar, mas houve uma discussão e ele acabou agredido. Só então ocorreram os disparos”, disse o advogado.

PM que matou colega de farda alega ter sido chamado para resolver 'treta do carro'

O sargento foi ouvido e liberado, mas deve ser indiciado por homicídio. Um exame pericial vai revelar se o adolescente baleado foi atingido por um tiro disparado pelo PM. O delegado Luciano Werber deve ouvir as testemunhas antes de dar continuidade às investigações.

Ligação

Em depoimento, o sargento afirmou que recebeu uma ligação do dono da oficina informando que o carro seria guinchado. À polícia, afirmou que assim que chegou para conversar a vítima o agrediu com tapa no rosto sacou a arma em sua direção e chegou a realizar um disparo. Neste momento, teria deitado ao lado do guincho sacado sua pistola e atirado três vezes.

Entenda o crime

Diniz é apontado como o responsável pelos disparos que mataram o tenente aposentado João Miguel Além Rocha e feriram um menino de 18 anos, na tarde de sábado, em frente a uma oficina mecânica do Nova Lima.

Segundo o boletim de ocorrência tudo começou com a negociação de um Nissan Sentra que pertencia a João Miguel. O policial aposentado teria trocado o veículo por um terreno com um conhecido, mas o comprador não teria feito o pagamento. Em vez disso, o homem teria revendido o carro em agosto do ano passado para o sargento Diniz.

Para a polícia, parentes do tenente afirmaram que a algum tempo ele tentava recuperar o veículo e no sábado ligou avisando que estava indo buscá-lo. Na oficina, o sargento teria impedido ele de levar o Sentra, os dois teriam discutido e o militar aposentado teria dado um tapa na cara de Diniz.

Foi nesse momento que os disparos teriam acontecido. Testemunhas contaram que após a agressão os dois se afastaram com as mãos na cintura, sacaram as armas e trocaram tiros. O tenente morreu em frente ao estabelecimento e quatro perfurações foram encontradas em seu corpo, uma delas na nuca.

Além de João Miguel, um menino de 18 anos também foi atingido pelos disparos. Em depoimento, o irmão do rapaz contou que eles passavam pela rua quando viram três homens discutindo e resolveram parar para gravar a confusão. Os tiros então começaram e os meninos fugiram, mas a vítima acabou ferida por um dos disparos.

A testemunha contou ainda que era o sargento Diniz que estava de frente para eles e por isso agredida que o tiro que atingiu o irmão saiu da arma dele. Um amigo de João Miguel, que estava com ele no momento, afirmou que oficial da reserva correu para dentro da oficina para de abrigar dos tiros, foi perseguido pelo suspeito e ainda agredido com um chute.

O revólver que estava com a vítima foi apreendido e segundo a polícia possuía cinco munições deflagradas. Na carteira da vítima os investigadores ainda encontraram um recibo de compra do Nissan Sentra em nome de João Miguel datado no mês de junho do ano passado. Além disso, a polícia conta com as imagens feitas pelos irmãos para esclarecer os fatos.

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