Polícia

Filho de ex-deputado é ferido com arma de policial e irmãos desconfiam da versão

Polícia investigará se disparo da arma de policial militar teria sido 'acidental'

Celso Bejarano Publicado em 01/06/2017, às 15h00

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Polícia investigará se disparo da arma de policial militar teria sido ‘acidental’

Dois irmãos do comerciante Luiz Paulo Costa Gaeta, 56, filho do ex-deputado Cecílio Jesus Gaeta, ferido a tiro numa festa promovida em sua casa, em Campo Grande, no sábado à noite (27), desconfiam que a cena do episódio tenha sido adulterada quando registrado o boletim de ocorrência na Polícia Civil. O fato foi protocolado pela dona da arma do disparo, uma policial militar, cujo marido também ficou ferido na mão.

Gaeta permanece internado e, segundo os irmãos, é crítico o estado de saúde dele. Os irmãos de Luiz Gaeta, Pedro e Inês, acham que a versão narrada à polícia nada tem a ver com o que de fato teria ocorrido durante a festa.

De acordo com o boletim de ocorrência, registrado pela policial militar, ela e o marido, funcionário público, foram para casa de Luiz Gaeta, no sábado (27), por volta das 21h30, no bairro Novos Estados.

Ela disse ter deixado a arma, uma pistola, dentro do carro, na rua da casa de Luiz. Três horas depois, Luiz Gaeta e o marido da policial teriam saído da casa e foram até o carro onde a arma estava. Logo, a PM soube do disparo do tiro. Indo lá, ela garante ter visto os dois lesionados.

O marido dela, o funcionário público, teria pegado a arma para mostrar a Luiz Gaeta. Neste momento, segundo a policial, a arma teria disparado “acidentalmente”. O projétil teria atingido a mão do marido, ricocheteado e atingido Luiz na barriga.

Familiares socorreram os dois e os levaram para a Unidade de Pronto Atendimento no conjunto Nova Bahia. Dali, eles foram transferidos para a Santa Casa. Quase quatro horas depois, às 4h16 minutos do domingo (28), a policial registrou o boletim, na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário da região central, na rua Padre João Crippa. Esta é a versão dada pela policial ao delegado Enilton Pires Zala.

DESCONFIANÇA

Já Pedro e Inês, irmãos de Gaeta, questionam da versão de que ele foi baleado em frente a casa. 

Outro questionamento dos irmãos: médicos que atenderam Gaeta disseram a eles que o projétil atingiu a vítima de cima para baixo, a partir do ombro, não direto na barriga. Isso fez com que os irmãos reforçassem a suspeita de que o projétil teria ricocheteado e atingido a barriga de Gaeta.

Pedro Gaeta disse também ter ficado surpreso ao visitar o irmão na Santa Casa, na segunda-feira (29),  logo cedo. Havia lá um comunicado para o hospital não autorizar a entrada de Pedro e Inês porque o “paciente [Luiz] não tem contado [com os irmãos] há anos e fica agitado [quando os vê] e o médico pediu para não ter emoções”.

Ainda assim, Pedro Gaeta conseguiu visitar o irmão. Ele disse que ao ser barrado, recorreu ao comando do hospital e, por meio da religião – contou que era babalorixá, chefe espiritual – conquistou a permissão. Pedro disse que o estado do irmão é grave e que está sedado desde a madrugada de domingo.

POLÍCIA

O delegado que registrou o caso, Enilton Zalla, disse que o boletim de ocorrência é o primeiro ato da investigação. “A partir de agora começamos a ouvir as testemunhas. O boletim é só o início”, disse o delegado, que ainda não foi procurado pelos irmãos de Gaeta.

Por telefone, a reportagem quis ouvir a policial, mas o filho dela que atendeu. O rapaz disse que daria recado à mãe para retornar, mas até o fechamento deste material, não houve resposta.

Jornal Midiamax