Polícia

Suspeita seria amante de Alceu Bueno e ex-vereador foi morto a martelada, diz Polícia

Reconstituição do crime e depoimentos indicam latrocínio

Midiamax Publicado em 29/12/2016, às 19h32

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Reconstituição do crime e depoimentos indicam latrocínio

O crime que vitimou o ex-vereador Alceu Bueno – o corpo foi encontrado carbonizado em setembro deste ano -, parece chegar a uma conclusão. Policiais do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros) reconstituíram as supostas cenas do assassinato no Jardim Seminário, em uma residência na Rua Frederico Abranches, no final da manhã desta quinta-feira (29).

A ação pericial durou mais de 3h e a polícia acredita que o ex-vereador tenha sido assassinado no local. Katia de Almeida Rocha, 24, uma das suspeitas presas na tarde de ontem (28), mantinha um relacionamento amoroso com Alceu, de acordo com a polícia. Elpídio Cesar Macena do Amaral, 26 e Josian Edson Cuando Macena, 21 também foram presos, suspeitos de envolvimento direto com o assassinato. Durante a apreensão, a polícia também teria levado objetos que foram utilizados no crime, a exemplo de um martelo. Agora, a investigação chega ao fim, e a polícia relata as cenas do crime. Entenda:

Operação Free Lander

Após o assassinato, a polícia desencadeou a operação Free Lander – o nome refere-se ao veículo do ex-vereador -. Em nota oficial, que explica a operação, a polícia afirma que "esse tipo de ação não coaduna com ações de criminosos que agem em 'crime' por encomenda, de ou mando, amoldando-se mais aos crimes de roubo seguido de morte". A versão de queima de arquivo era a principal suspeita, em setembro, já que o ex-vereador esteve envolvido em escândalo de exploração sexual, que abrangeu outros nomes da política. Para a polícia, ainda assim, outro detalhe que descarta a possibilidade de queima de arquivo, seria o veículo do ex-vereador, "porque não foi incendiado no mesmo local". A polícia também afirma que, no mesmo dia em que o corpo da vítima foi encontrado,  um "casal" esteve em Ponta Porã, oferecendo o carro à venda.

Cenas do crime

Conforme o Garras, a intenção seria apenas de matar Alceu, por ordem de Elpidio, Kátia teria marcado um primeiro encontro com o ex-vereador que a levou para jantar. Nesse dia a vítima não quis entrar na casa. A mulher informou à policia que viu a vítima com dois maços grandes de notas de R$ 100 e então contou aos comparsas. Com essa informação, Elpidio pediu para que a mulher ligasse novamente e marcasse um segundo encontro com o homem. Novamente Katia teria marcado um segundo encontro com Alceu na casa do Jardim Seminário, onde Elpidio e Josian estariam esperando. Alceu teria sido morto no quarto de Katia, de acordo com a polícia.

"O primeiro a atacar a vítima foi Josian Edson que o golpeou na cabeça por várias vezes fazendo uso de um martelo, na sequência recebeu ajuda de Elpídio Cesar que, da mesma forma, golpeou a vítima na cabeça fazendo uso de uma tábua de bater carne. Conforme a polícia, Alceu "ainda agonizava" quando os suspeitos teriam-no enforcado com a alça de uma bolsa. Após a sequência relatada pelos suspeitos, a polícia afirma que os três levaram o corpo ao local onde foi queimado. Um dos objetos apreendidos, o martelo em questão, ainda teria resquícios de sangue, segundo a investigação. A tábua teria sido queimada.

Outro indício do crime, seriam manchas de sangue em papelões embaixo de um colchão da casa. Os suspeitos, de acordo com a polícia, trocaram os números de celular, o que teria "chamado a atenção dos policiais". O trio teria roubado R$ 600, além do veículo do ex-vereador.

A Operação monitorou os suspeitos, e afirma que o "casal" seria Elpídio e Katia. As ligações dos dois foram interceptadas, o que teria indicado que os dois estariam, na mesma hora, no local onde o corpo foi encontrado. Além disso, a reconstituição do assassinato teria sido realizada com cada um dos suspeitos, que teriam apresentado versões diferentes sobre o crime, de acordo com informações obtidas pelo Jornal Midiamax. O material foi recolhido e enviado para análise. Durante a reconstituição, os policiais utilizaram objetos semelhantes aos encontrados na casa.

A suposta relação entre Katia e Alceu, conforme relata a polícia, é um dos indicativos do latrocínio, já que ela "sabia que ele sempre andava com muito dinheiro em espécie, razão pela qual, segundo confessou, chamou o seu amante Elpidio Cesar Macena do Amaram para praticar o crime de roubo contra a vítima". "Ela afirmou em seu interrogatório que era constantemente assediada por Alceu Bueno (sempre via whatsapp) e relatou tal fato fato para Elpidio Cesar.

As investigações devem apontar latrocínio para o caso. Apesar do carro de Alceu ter sido encontrado incinerado próximo à fronteira com o Paraguai, poucos dias depois do assassinato, o secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, José Carlos Barbosa, afirmou que "os indícios apontariam para um caso de latrocínio".

Para o delegado do Garras, Edilson dos Santos Silva, o carro foi queimado "porque não conseguiram vender o veículo".

"A motivação começou com ciúme, um assédio demasiado por parte do Alceu Bueno com a Kátia e ele então decidiu que daria uma reprimenda nele. Além de informar esse assédio que ele fazia via whatsapp, informou que ele também andava com uma grande quantidade de dinheiro em espécie, isso despertou o interesse deles e tiveram a ideia de praticar o crime", declarou.

A polícia, que agora tem dez dias para concluir o inquérito, deve descartar por completo a possibilidade de que tenha um "mandante", envolvido no crime.

"Várias linhas tiveram. O envolvimento dele com pedofilia é uma linha, o envolvimento dele com invasão de terrenos ali na região do Nova Lima e Chácara na região do Seminário era uma outra linha porque quando você invade um terreno por meio e uso capião isso gera um desconforto no proprietário. Uma vez identificado quem foi o responsável pela morte a gente tenta ligar essas pessoas com alguma dessas linhas. Se houvesse uma ordem de alguma dessas linhas pra esse grupo matar a pessoa, ela cairia nessa investigação", afirmou Edilson.

"Com isso restou plenamente comprovado mediante provas materiais, testemunhais e confissão espontânea dos autores que a motivaçã para o crime foi inteção de praticar roubo (de dinheiro e do veículo), seguido de morte e ocultação do cadaver da vítima", concluiu a polícia.

Assassinato

O corpo de Alceu Bueno foi encontrado com sinais de estrangulamento e carbonizado, no Jardim Veraneio, em Campo Grande. Imagens de câmeras de segurança, de um condomínio que fica na região, mostraram o momento em que o corpo foi abandonado e em seguida se vê um clarão, momento em que Alceu Bueno é carbonizado. Ao lado do corpo localizado um celular idêntico ao do ex-parlamentar e pinos de metais no braço do cadáver. Também foi encontrado, junto ao corpo carbonizado, distintivo semelhante ao que Bueno usava quando parlamentar. O carro do ex-vereador, uma Land Rover Freelander, foi encontrado no dia 23 de setembro incendiado, em Ponta Porã. O carro estava destruído e sem placas.

Exploração Sexual

José Alceu Padilha Bueno foi eleito em 2012 e renunciou em 2015 depois de ter sido flagrado em um motel com duas adolescentes, com menos de 18 anos. Ele foi indiciado por ‘favorecimento à prostituição ou de outra forma de exploração sexual de vulnerável’. Imagens de um vídeo no qual o ex-vereador aparecia com as garotas no motel chegaram a ser divulgadas à época.

Bueno alegou que era vítima de um esquema de extorsão, assim como o ex-deputado estadual Sérgio Assis, também flagrado no motel com as adolescentes. Três pessoas, Fabiano Viana Otero, Luciano Pageu e o ex-vereador Robson Martins, foram presos pelo crime.

*alterações realizadas às 17h04 para acréscimo de informações

Jornal Midiamax