Polícia

Organização tinha 70 caminhões preparados para traficar droga da Bolívia

Fundos falsos eram acionados por sistemas hidráulicos

Guilherme Cavalcante Publicado em 29/06/2016, às 21h39

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Fundos falsos eram acionados por sistemas hidráulicos

Cerca de 70 veículos, entre carretas e caminhões, equipados com sistemas de fundos falsos acionados por sofisticados sistemas hidráulicos. Era por meio deles que cerca de duas toneladas de droga atravessavam a fronteira da Bolívia com o Brasil, por Corumbá (MS), e a partir de então circulavam com a carga ilegal pelo país.

Este megaesquema da quadrilha especializada em tráfico internacional de drogas foi frustrado pela operação Quijarro, da Polícia Federal, deflagrada nesta quarta-feira (29). Nela, foram expedidos 81 mandados judiciais, sendo 14 de prisão preventiva, 43 de busca e apreensão de veículos, 17 de busca e apreensão em imóveis e 7 de condução coercitiva. Até o momento, 12 pessoas já foram presas e duas estão foragidas. Dois flagrantes também aconteceram, por porte ilegal de arma.

O que chama atenção, portanto, é o sistema adaptado nos caminhões e carretas utilizado para o transporte de cocaína. Durante uma coletiva de imprensa, o delegado da operação, Elvis Secco, afirmou que os compartimentos eram sofisticados, utilizavam um sistema hidráulico tão bem feito que parte das apreensões de cocaína só foram descobertas após exame em equipamento de raio-x, o que praticamente blindava o veículo em eventuais blitze que interceptassem os veículos (veja o vídeo).

O esquema era camuflado também com o transporte de cargas lícitas. Por exemplo, minério de ferro era utilizado no tráfico para a Europa. O delegado também afirmou que os caminhoneiros sabiam do transporte de drogas.

Secco também detalhou o sistema de circulação da quadrilha. Segundo ele, a sede do principal grupo transportador ficava em Londrina. para chegar lá, a droga passava primeiro pela fronteira Brasil-Bolívia, em Corumbá, em Mato Grosso do Sul, e de lá seguia para Vinhedo, no Estado de São Paulo, onde a droga era descarregada e colocada em outros veículos e também preparada para ser distribuída em outros países.

Ao longo desse período, a PF apreendeu quatro toneladas de cocaína. Desse total, 1.441 mil quilos foram apreendidos de uma só vez, que representa a terceira maior apreensão desse tipo de droga já realizada no país.

Os criminosos também utilizavam 'laranjas' para driblar fiscalizações. Das 14 carretas apreendidas, algumas estavam em nome de parentes dos criminosos – tática utilizada sobretudo pelo líder da quadrilha. Segundo o delegado, diversos familiares estavam cientes dos crimes.

A operação também sequestrou cerca de 10 milhões de dólares do núcleo boliviano da quadrilha. No Brasil, diversos imóveis foram utilizados como uma espécie de depósito de carregamento, descarregamento e confecção de fundos falsos, sete deles foram identificados. Outro vídeo também mostra parte da operação em uma fazenda. Diversas contas bancárias dos investigados também foram bloqueadas.

Os presos responderão por tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, associação para o tráfico, falsificação de documentos públicos e privados, furto, homicídio, roubo e organização criminosa, somando mais de 20 anos de prisão.

De acordo com a Polícia Federal, o nome da operação 'Quijarro', se deve ao fato que a organização ingressava no Brasil através do Puerto Quijarro, na Bolívia, fronteira com Corumbá.

Jornal Midiamax