Polícia

Polícia prende chefe da quadrilha que sequestrou ex-nora de desembargador

Advogada estava em um carro falando ao celular quando foi abordada por três adolescentes armados

Wendy Tonhati Publicado em 12/02/2015, às 20h07

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Advogada estava em um carro falando ao celular quando foi abordada por três adolescentes armados

A Polícia Civil prendeu na última quarta-feira (11), Cláudio Garcia de Anunciação, de 32 anos. Ele é apontado pela polícia como o mentor do sequestro de uma advogada de 38 anos, ex-nora de desembargador, no dia 21 de janeiro deste ano. A vítima chegou a passar algumas horas em uma oficina mecânica, utilizada pelo grupo como ‘cativeiro’

De acordo com o delegado Gustavo de Oliveira Bueno Vieira, da Defurv (Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos), Cláudio é dono de uma oficina mecânica no Bairro Aero Rancho e poderia ser considerada uma pessoa acima de suspeitas. “[Ele era] Tido como trabalhador, mas era o mentor do crime. No momento da prisão foi apreendido com ele o celular da vítima”, diz.

O crime aconteceu por volta das 21 horas, nos altos da Avenida Afonso Pena, próximo ao Aquário do Pantanal. A advogada tinha estacionado o veículo que conduzia, um Hyundai Tucson preto, e estava falando com uma amiga ao celular, quando foi abordada pela quadrilha, que estava armada.

Segundo a autoridade policial, Cláudio e os outros envolvidos se conhecem há cerca de cinco meses. Ele teria entrado em contato encomendando o roubo de peças para carros, no caso, rodas que seriam vendidas no mercado negro. Como o grupo não localizou as peças decidiu roubar o veículo da advogada. “Ele não aparecia na abordagem, mas era o arquiteto, quem encomendava as peças”, explica Vieira. A Defurv ainda vai investigar se o grupo participou de outros crimes. 

No dia do crime, Cláudio teria levado os comparsas até o local, mas não participou diretamente da ação. Após o sequestro, a oficina foi usada como cativeiro para a advogada. No depoimento, a vítima deu detalhes do lugar onde ficou e identificou uma porta de aço que levava a crer que poderia ser uma oficina ou uma garagem. Ainda segundo o delegado, na quadrilha, cada um tinha uma tarefa e eles foram indiciados por associação criminosa, roubo e tentativa de homicídio já que durante a ação trocaram tiros com os policiais.

O advogado de Cláudio, Carlos Olímpia de Oliveira Neto, nega que o cliente seja o líder da quadrilha.  Ele alega que o suspeito estava com dificuldades financeiras e fez o trabalho de ‘motorista’ para os suspeitos. “Ele confessa que teria levado os adolescentes junto com os maiores e que receberia R$ 1 mil para isso. Quando a eles [os quatro suspeitos] regressaram, deixaram a vítima na oficina enquanto cometiam outros crimes”, explica.

Oliveira Neto diz ainda que a advogada vítima da quadrilha não teria afirmado no depoimento que Cláudio era o líder da quadrilha.

Roubo

Como a vítima estava ao celular quando foi abordada, a amiga percebeu o sequestro e acionou a polícia. Por volta da mesma hora, a polícia recebeu denúncias que rapazes em um Tucson preto estavam abordando clientes de um bar na Via Park e que seis celulares foram levados.

Os policiais fizeram rondas e encontraram um carro com as mesmas características. O veículo foi perseguido e os ocupantes fizeram dois disparos contra os militares. No momento da abordagem foram presos Thiago Souza Silva, de 27 anos, e Juliano César Vieira, de 27 anos. Também foram apreendidos dois adolescentes, um de 17 e outro de 16 anos, que participaram do sequestro.

Quando a polícia encontrou os ladrões, a vítima estava dentro do Tucson, com os olhos vendados e em estado de choque. Juliano tem passagem pela polícia por homicídio e o adolescente de 17 anos por tráfico de drogas. 

Jornal Midiamax