Polícia

Preso por fraude teria doado R$ 200 mil à campanha de secretário de Haddad

O secretário do governo de Fernando Haddad (PT), Antonio Donato, é citado em uma escuta telefônica autorizada pela Justiça pelo recebimento de R$ 200 mil do auditor Luis Alexandre Camargo Magalhães. Ele é um dos quatro servidores da prefeitura presos na semana passada por formar um esquema de propinas para sonegação de impostos na gestão […]

Arquivo Publicado em 04/11/2013, às 11h44

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O secretário do governo de Fernando Haddad (PT), Antonio Donato, é citado em uma escuta telefônica autorizada pela Justiça pelo recebimento de R$ 200 mil do auditor Luis Alexandre Camargo Magalhães. Ele é um dos quatro servidores da prefeitura presos na semana passada por formar um esquema de propinas para sonegação de impostos na gestão Gilberto Kassab (PSD). O secretário e o valor são citados em uma conversa entre Magalhães e sua ex-amante. “Vou ligar para o Donato amanhã porque eu não liguei para ele ainda. E vou falar: você lembra que recebeu R$ 200 mil do Luis Alexandre para a sua campanha eleitoral?”, diz a ex-companheira em um dos trechos da escuta.


O secretário nega ter recebido dinheiro do suspeito ou de qualquer outro membro do grupo. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, o Ministério Público apura denúncia que o montante teria sido usado na campanha de Donato para vereador em 2008. No entanto, o valor relatado na investigação seria a metade, R$ 100 mil.


Insatisfeita com a pensão alimentícia de R$ 700 que recebia do fiscal pelo filho que eles têm, a ex-amante de Magalhães, Vanessa Carolina Alcântara, aparece em vários trechos de escutas feitas durante a investigação da suposta quadrilha. De acordo com o MPE, o auditor tinha renda estimada em até R$ 80 mil por semana com o esquema. Por causa disso, ela ameaçava delatá-lo e chegou a citar 14 pessoas que iria denunciar.


Em uma das ameaças, afirmou que falaria sobre a época em que eles contaram R$ 200 mil em notas no tapete da sala do apartamento da Tuim. Ela disse também, em diálogo gravado em 4 de julho, que denunciaria o ex-companheiro para diversos secretários de governo de Haddad, e novamente cita Donato. Nas escutas divulgadas ontem, Magalhães diz desconhecer o secretário.


As informações devem ser repassadas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime de Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro (Gedec) para a Promotoria Eleitoral. Entretanto, se o crime eleitoral ocorreu, já está prescrito de acordo com a legislação. Donato também foi apontado pelo secretário Jilmar Tatto, de Transportes, como responsável pela manutenção do ex-secretário de Arrecadação da Secretaria Municipal de Finanças, Ronilson Bezerra Rodrigues, em cargos de diretoria da atual gestão.


Em entrevista, Donato negou a indicação e disse que a nomeação foi feita por Marcos Cruz, secretário de Finanças, mas reconheceu que sugeriu o servidores para Cruz por considerá-lo um técnico capacitado, que ele conhecia por ter mantido contato profissional na época em que presidiu a Comissão de Finanças da Câmara.

Jornal Midiamax