Polícia

Filho de Fahd Jamil está desaparecido há duas semanas e polícia de MS não tem pistas

No último dia 3 ele foi visto pela última vez no Shopping Center Campo Grande e deixou o local acompanhado de mais duas pessoas. Daniel Alvarez Georges chegou a ser preso em SP e processado por tráfico internacional de drogas, mas foi inocentado.

Éser Cáceres Publicado em 16/05/2011, às 19h43 - Atualizado em 16/10/2020, às 10h10

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O sul-mato-grossense Daniel Alvarez Georges, de 42 anos, está desaparecido desde 3 de maio. Ele é filho de Fahd Jamil Georges e foi visto pela última vez no Shopping Campo Grande, quando teria deixado a praça de alimentação acompanhado por mais duas pessoas não identificadas.

A família só comunicou o desaparecimento à Polícia Civil de Mato Grosso do Sul no último dia 11.

O caso foi registrado na Delegacia das Moreninhas. Lá, a informação é de que as investigações serão conduzidas pela Delegacia Especializada de Homicídios, onde, até o início desta tarde, o delegado titular, Edilson dos Santos Silva disse não ter recebido o inquérito oficialmente.

Alvo do DEA e passeio no Shopping

Segundo informações da família, no último dia 3 de maio ele foi visto por volta das 12 horas no Shopping Center Campo Grande. O único detalhe informado é de que ele trajava calça jeans e camisa e saiu do local acompanhado de mais duas pessoas.

Daniel Georges nasceu em Ponta Porã e mora em Campo Grande. Ele já foi apontado pela polícia como intermediário na negociação de cocaína das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), ligado à quadrilha de Fernandinho Beira- Mar.

Preso no ano de 2002, no Aeroporto Internacional de Cumbica, em São Paulo, quando desembarcava de um voo de Medellín, na Colômbia, Daniel foi um dos primeiros a contar como a cocaína seria trazida da Colômbia e deixada em pistas de pouso clandestinas em Mato Grosso do Sul.

Na época, agentes do DEA (departamento de combate aos narcóticos norte-americano) interrogaram o sul-mato-grossense, que teria revelado como funcionava uma conexão do narcotráfico entre Brasil, Europa e Estados Unidos.

De Mato Grosso do Sul, os carregamentos de entorpecentes seriam embarcados em caminhões para São Paulo e depois remetidos para o exterior.

Segundo o delegado Olavo Reino Francisco, que coordenou a investigação na época, telefonemas gravados com autorização da Justiça teriam revelado ligações de Daniel Georges com espanhóis, italianos, colombianos e porto-riquenhos. Várias conversas entre ele e Beira-Mar, então preso em Bangu I, também foram gravadas.

Georges respondeu a processos por tráfico na Justiça Federal, em São Paulo, e ficou preso mais de um ano. Porém, no final do processo, acabou absolvido.

Fahd Jamil, o ‘rei da fronteira’

O empresário Fahd Jamil é famoso na região de fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. Ele chegou a ser condenado a mais de 20 anos de prisão em 2005 por tráfico internacional de drogas, associação ao tráfico, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e emprego de propriedade para a prática de tráfico de drogas.

Fahd não chegou a ser preso e, mesmo foragido, teve a prisão revogada pelo STJ em 2007. Neste processo, foi inocentado em 2009. Em outro, por crime contra o sistema financeiro, o empresário é considerado foragido desde 2005 e foi condenado no começo deste mês a uma pena de reclusão de 10 anos e seis meses pelo TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região).

O advogado de Jamil, Renê Siufi, anunciou que vai recorrer.

Jornal Midiamax