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Pentágono cancela projetos de Trump para construir muro na fronteira com o México

O atual presidente americano, Joe Biden, já havia anunciado a interrupção

Agência Estado Publicado em 01/05/2021, às 00h31

AFP/Arquivos
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O Pentágono anunciou nesta sexta-feira, 30, o cancelamento dos projetos de construção de um muro na fronteira entre Estados Unidos e México pagos com fundos militares. O ex-presidente Donald Trump havia ordenado a transferência de bilhões de dólares do orçamento do Departamento de Defesa para pagar o muro depois que o Congresso negou seu financiamento. O atual presidente americano, Joe Biden, já havia anunciado a interrupção dos projetos logo após assumir o governo, em janeiro

"O Departamento de Defesa está cancelando todos os projetos de construção de barreiras de fronteira pagos com fundos originalmente destinados a outras missões e funções militares, como escolas, projetos de construção militar em países parceiros e a conta de equipamento da Guarda Nacional e da Reserva, "disse o vice-porta-voz do Pentágono Jamal Brown em um comunicado. "A ação de hoje reflete o compromisso contínuo desta administração em defender nossa nação e apoiar nossos membros do serviço e suas famílias."

Trump lançou sua campanha presidencial em 2015 com a promessa de construir um muro na fronteira com o México, país que ele afirmou que faria pagar pela obra. Os mexicanos se negaram a assumir a construção e a Câmara dos Deputados dos EUA não aprovou nenhum projeto com esse propósito. Trump acabou recorrendo aos cofres do Pentágono.

Sob o governo republicano, foram conduzidas obras em 724 km de barreiras, principalmente de reparos em trechos já existentes, muitos entre desertos e montanhas do sul do Arizona. Novas barreiras representam apenas 76 km deste número. Pouco foi feito no Vale do Rio Grande, no sul do Texas, área mais movimentada para travessias de fronteira e epicentro de um grande fluxo de migração.

O comunicado não indicou quanto dinheiro o cancelamento economizará, nem se os fundos restantes seriam usados para pagar os custos de desmobilização de empreiteiros, cujas escavadeiras e tratores foram paralisados no dia 20 de janeiro.

Uma estimativa do Corpo de Engenheiros do Exército, feita no outono passado (norte), determinou que haveria cerca de US$ 3,3 bilhões (aproximadamente R$ 17 bilhões) em fundos restantes se Biden optasse por não prosseguir com os planos de construção de Trump para cercar 458 km adicionais. O governo economizaria cerca de US$ 2,6 bilhões (aproximadamente R$ 12 bilhões) depois de pagar os custos de desmobilização às empreiteiras, concluiu a estimativa.

Também não está claro o destino de segmentos de muro de fronteira inacabados, financiados com cerca de US$ 5 bilhões (aproximadamente R$ 25 bilhões) em dotações do Congresso para o Departamento de Segurança Interna durante o mandato de Trump. Críticos de Biden do Partido Republicano alegam que o presidente é legalmente obrigado a gastar os fundos na construção de barreiras, mas os democratas querem que os eles sejam usados ??em projetos de melhoria e segurança das fronteiras.

Em um comunicado separado na sexta-feira, o Departamento de Segurança Interna disse que usaria fundos apropriados do Congresso para reparar diques no Vale do Rio Grande que foram danificados durante a construção do muro. O esforço não vai expandir a barreira, disse o departamento.

O governo Biden também irá remediar um local adjacente à estrutura em San Diego danificado pela erosão do solo. Em um comunicado, o Departamento de Segurança Interna descreveu os projetos como "passos iniciais para proteger as comunidades fronteiriças de perigos físicos resultantes da abordagem da administração anterior para a construção de paredes de fronteira" e disse que o departamento "continua a revisar os extensos problemas" criados pelo projeto de Trump.

A fronteira entre os Estados Unidos e o México tem atualmente 3 142 km de extensão. (Com agências internacionais)

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