A polícia chilena recebeu, do governo do Chile, uma semana esclarecer as denúncias de violações.dos direitos humanos supostamente cometidas durante os protestos que ocorrem no país desde o começo de outubro. A intimação foi anunciada na terça-feira (26), depois da ONG Human Rights Watch (HRW) apontar o uso excessivo de força e abusos contra pessoas nas manifestações.
O diretor da HRW, José Miguel Vivanco disse que não acredita que os casos de violências não estejam interligados. “Fatores como o uso indiscriminado e indevido de armas antidistúrbios, abusos contra pessoas detidas e sistemas de controle interno deficientes facilitaram a ocorrência de graves violações dos direitos de muitos chilenos. Não acreditamos que sejam casos isolados, nem coincidências”, afirmou o diretor em entrevista para as Américas.
Os Carabineros, nome popular para as tropas da polícia chilena, reconheceu a necessidade de “profundas reformas” em suas formas de atuação. “Os eventos do último mês apontam a necessidade de se fazer profundas reformas nas ações policiais, visando uma melhor promoção e proteção dos direitos humanos”, declarou, em um comunicado, a corporação policial.
Manifestações chilenas
Os movimentos, que começaram em 18 de outubro de 2019, são os mais graves visto desde a redemocratização do país, em 1990. A motivação inicial foi o aumento da passagem do metrô de Santiago, revogado depois pelo governo.
Até o momento, 23 pessoas morreram e mais de 2.800 ficaram feridas, 232 delas com graves lesões oculares devido a disparos de projéteis no rosto. Na semana passada, a polícia chilena chegou a suspender temporariamente o uso de projéteis nas ações de controle das manifestações.
A suspensão foi decidida após o surgimento de dúvidas em relação à composição real das munições. A Universidade do Chile, afirmou que as balas não eram feitas apenas de borracha, mas também continham chumbo, o que poderia explicar o alto número de feridos.