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Oposição venezuelana volta às ruas contra Assembleia Constituinte

31 estações de metrô estão fechadas

Ana Paula Chuva Publicado em 08/05/2017, às 19h19

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31 estações de metrô estão fechadas

A oposição venezuelana tentava marchar nesta segunda-feira (8) até o centro de Caracas para informar o governo sobre sua recusa em participar da Assembleia Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro.

Sob o lema “O povo diz não à ditadura”, a coalizão MUD (Mesa da Unidade Democrática) convocou seus seguidores para expor a decisão ao ministro da Educação, Elías Jaua, que dirige a comissão presidencial que impulsiona a Constituinte.

Por sua vez, o governo pediu que a oposição reflita sobre sua decisão. “Fazemos um chamado à MUD, pela paz em nosso país, que reflita (…) O caminho é o diálogo, a criminalização do diálogo é o desconhecimento de uma parte e isso é barbárie’, declarou Elías Jaua.

Ele ressaltou ainda que “as portas estão abertas (…) para que todas as organizações políticas venham escutar as razões” para a convocação da Assembleia Constituinte.

Nas ruas, os grupos de oposição se reuniam em setores do leste da capital para a passeata. Desde o início dos protestos, em 1º de abril, não conseguiram chegar ao centro de Caracas, dispersados a cada vez pelas forças de segurança.

Em razão da marcha, 31 estações de metrô permanecem fechadas.

“Continuar nas ruas é a única maneira de sair desta forca de comunistas, porque queremos viver em democracia. A Constituinte é uma farsa, estão fugindo das eleições para permanecer no poder”, declarou à AFP Jorge González, um arquiteto de 63 anos, na Plaza Altamira (leste).

Na Venezuela estão pendentes as eleições de governadores, que deveriam ter sido realizadas em 2016, de prefeitos de 2017 e presidenciais de 2018.

Julio Borges, presidente da Assembleia Nacional, único poder do Estado controlado pela oposição, reiterou o chamado para que as pessoas sigam nas ruas “frente à fraude constitucional”.

Mais de 70% dos venezuelanos, segundo pesquisas privadas, rejeitam a gestão Maduro, num contexto de colapso econômico que tem gerado uma grave escassez de alimentos e medicamentos, e a maior inflação do mundo, que chegaria a 720% em 2017, segundo o FMI.

Em resposta, o governo convocou seus partidários a marchar em “defesa da Constituinte”, com a qual, assegura, reforçará a Constituição de 1999 liderada pelo falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013).

Assembleia Constituinte

A proposta de Assembleia Constituinte, convocada há duas semanas, também provocou condenação internacional. Brasil, México, Espanha e Estados Unidos disseram que um processo para modificar a Constituição requer do sufrágio universal. Enquanto isso, o Chile considerou que a iniciativa agrava a crise política, e Luis Almagro, secretário-geral da OEA (Organização de Estados Americanos), a qualificou de “fraudulenta”.

Apesar da rejeição da oposição, o governo prossegue com as reuniões com diversos setores sociais para promover a sua Assembleia Constituinte, que deverá redigir uma nova Constituição do país, o que segundo Maduro, “trará a paz”. Maduro assegurou neste domingo que não tem outra opção que convocar a Constituinte para enfrentar uma suposta “insurgência armada” da oposição para derrubá-lo.

O presidente pretende eleger a Assembleia Constituinte por meio de um processo misto que não garante o “sufrágio universal”: metade dos 500 componentes seriam escolhidos por votação de setores, enquanto o restante seria escolhido nas eleições municipais. A oposição diz que os setores a primeira metade são controlados pelo governo.

Mas a oposição sustenta que a intenção do processo é adiar duas eleições regionais previstas para este ano e as presidenciais, no que chamam de um auto-golpe de Estado promovido por Maduro para perpetuar-se no poder. Também afirma que ela serve apenas para poder se desvencilhar de eleições livres de “uma verdadeira democracia”.

Jornal Midiamax