Mundo

Haitianos temem ficar sem ajuda e população rouba comboios humanitários

População teme sofrer o mesmo episódio do terremoto de 2010

Joaquim Padilha Publicado em 14/10/2016, às 12h48

None
haiti.jpg

População teme sofrer o mesmo episódio do terremoto de 2010

Os comboios humanitários que ajudam as vítimas do furacão Matthew no Haiti sofreram diversos ataques e saques, admitiu o diretor do PMA (Programa Mundial de Alimentos) Carlos Veloso, em entrevista à AFP, agência de notícias francesa nesta quinta-feira (13).

Veloso admitiu que muitos comboios que levam alimentos para as áreas mais isoladas e afetadas do país foram bloqueados por barricadas e roubados na rota nacional que atravessa a ilha sul, desde a passagem do Furacão Matthew na última semana.

“Infelizmente, há pessoas que tentam tirar vantagem desse esforço humanitário e temos perdido quantidades de alimentos por conta de roubos”, disse Veloso. “Isso atrasará todo nosso esforço de levar alimentos para a população”.

O prejuízo dos roubos a comboios gera custos à PMA e à população haitiana mais isolada. “Deveremos tomar medidas muito caras como [usar] helicópteros e não poderemos transportar as mesmas quantidades aos mesmos lugares”, afirmou Veloso.

Veloso acredita que os ataques estão sendo motivados pelo próprio atraso na chegada dos alimentos aos locais mais isolados. Os haitianos ainda recordam do fracasso na gestão para ajudar as vítimas do terremoto em 2010, e temem serem esquecidas e ficarem sem ajuda.

“Compreendo o desespero das pessoas, mas elas devem nos ajudar: devem deixar a assistência passar. Há lugares que vão receber agora e outros em uma segunda fase. […] Não podemos chegar a todos os locais ao mesmo tempo”, disse Veloso.

Mais de 192 toneladas de alimentos já foram distribuídas a 23 mil haitianos na região sul do País, e outras 700 toneladas aguardam a distribuição. Ao todo, o custo dos alimentos e da logística para ajudar as mais de 750 mil pessoas mais atingidas deve chegar a 51 milhões de dólares.

Jornal Midiamax