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Vaticano: sermão não deve ter distorção ou impor preconceito

Nova diretiva para sacerdotes determina ainda que se evite incluir histórias pessoais e dar aula de erudição

Clayton Neves Publicado em 10/02/2015, às 18h29

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Nova diretiva para sacerdotes determina ainda que se evite incluir histórias pessoais e dar aula de erudição

Ao pronunciar um sermão, os padres católicos não devem, a partir de agora, dar uma aula de erudição, contar sua história pessoal ou “distorcer os textos” para impor seus preconceitos, segundo recomendação de uma diretiva para sacerdotes em todo o mundo divulgada nesta terça-feira (10).

Intitulado “Diretriz sobre a Homilia” (sermão), este documento de 117 páginas responde a uma prioridade do papa Francisco, que em 2013 ressaltou a importância de um conteúdo claro, breve e atraente, em linguagem susceptível de ser compreendida, e que deve confortar os fiéis, e não afligi-los.

“Para se tornar um bom pregador, não é necessário ser um grande orador”, reafirma esta longa carta, ressaltando que “Moisés sofria com dificuldades de expressão, Jeremias se considerava muito jovem e Paulo sentia temor e tremor”. “A voz de trovão e gestos teatrais devem dar lugar ao uso adequado da voz e gestos”.

“A homilia deve ser breve e evitar parecer uma conferência. Não deve ser uma oportunidade para declarações completamente estranhas à celebração ou (…) para distorcer os textos em todas as direções para submetê-los a uma ideia preconcebida”.

“Por fim, a homilia não deve ser considerada como um tempo reservado para o testemunho pessoal” do pregador, segundo o texto, que também rejeita a “pregação puramente moralista ou semelhante a doutrinação”.

O documento também menciona casamentos e funerais, convidando os sacerdotes a prepará-lo tendo em vista que “muitos dos envolvidos não são cristãos ou não são católicos”.

O sermão resta estritamente reservado aos bispos, padres e diáconos, mas proibido aos leigos.

“Certamente boas lições podem ser ensinadas por líderes leigos bem preparados de algumas comunidades, mas tais intervenções devem ser feitas em outros contextos”. Esta recomendação é direcionada às novas comunidades, onde não é incomum que os leigos comentem textos bíblicos durante as missas.

Jornal Midiamax