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Humorista que fez piada com atentado é preso por apologia ao terrorismo

"No que cabe a mim, me sinto Charlie Coulibaly", postou o humorista.

Clayton Neves Publicado em 14/01/2015, às 18h42

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“No que cabe a mim, me sinto Charlie Coulibaly”, postou o humorista.

O polêmico humorista francês Dieudonné, que era alvo de uma investigação por ter supostamente feito apologia ao terrorismo em relação aos ataques sofridos na França na semana passada, foi detido nesta quarta-feira para ser interrogado.

Fontes da investigação confirmaram a notícia da detenção de Dieudonné, revelada pela rede de televisão “iTélé”.

As autoridades tratam de esclarecer se uma declaração que o humorista postou em sua conta do Facebook no domingo, após a manifestação de repulsa contra os atentados em Paris, é considerada uma amostra de solidariedade com Amedy Coulibaly, um dos três jihadistas que atuaram na França.

Dieudonné, condenado em várias ocasiões por suas declarações e brincadeiras antissemitas, dizia no Facebook. “No que cabe a mim, me sinto Charlie Coulibaly”.

Ele brincava assim com o lema “Eu sou Charlie”, de apoio à revista satírica “Charlie Hebdo”, atacada na quarta-feira da semana passada pelos irmãos Saïd e Chérif Kouachi, que coordenaram o ataque com Amedy Coulibaly, o assassino de um policial na quinta-feira no sul de Paris, e de quatro clientes em um supermercado judeu, também na capital, no dia seguinte.

Coulibaly foi morto na sexta-feira pelas forças especiais francesas no ataque ao supermercado.

O ministro francês de Interior, Bernard Cazeneuve, além de qualificar como “indigna” a piada de Dieudonné, tinha advertido que as autoridades se reservavam a possibilidade de atuar contra ele.

Dieudonné M’bala M’bala foi alvo na França de várias investigações por incitação ao ódio racial e injúria pública, especialmente contra os judeus.

Entre outras, foi investigado por suposta apologia ao terrorismo por causa de um vídeo no qual comparava a decapitação do jornalista americano James Foley, pelas mãos do grupo radical Estado Islâmico (EI), com as mortes violentas de Muammar Kadafi e Saddam Hussein.

Também é alvo de processo por fraude fiscal, em particular por não ter feito a declaração do imposto de renda.

Jornal Midiamax