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Wanessa Camargo vive ‘abstinência de livros’ e poeta aproveita momento para criticar proibição do BBB

Pegando carona no assunto, Fabrício Carpinejar criticou o fato do programa banir livros e o qualificou como o "BBB do Analfabetismo"
Graziela Rezende -
(TV Globo/Reprodução)

Wanessa Camargo, por diversas vezes, falou em rede nacional o quanto gosta de ler livros e até citou que um dos filhos é apaixonado por leitura. Durante conversa com os brothers, no BBB (Big Brother ) 24, disse que a prática é enriquecedora e, inclusive, indicou um clássico. Pegando carona no assunto, o poeta e jornalista, Fabrício Carpinejar, criticou o fato do programa banir livros e o qualificou como o “BBB do Analfabetismo”.

Logo após as falas da cantora, a equipe dela usou as redes sociais para ressaltar a paixão de Wanessa por livros, interagindo com os fãs e pedindo indicações de livros. Nas redes sociais, outro post diz: “Wan contou com orgulho que seu filho mais novo adora comprar livros, sendo um leitor assíduo. Sua paixão é tanta que ele tem uma biblioteca enorme em casa, onde já não há mais espaço para tantos exemplares”, diz.

BBB do analfabetismo

Desta forma, Carpinejar disse que jamais participaria do BBB, principalmente porque não é possível ler e nem escrever no período do confinamento. “Tem que parecer iletrado”, inicia ele.

Colunista no jornal Zero Hora, escreveu um texto que teve grande repercussão, na última segunda-feira (15). “Aquele que conta com hábito diário de escrita e leitura jamais conseguiria atravessar tamanha abstinência triste. É o BBB do analfabetismo. Desde 2014, livros deixaram de ser recomendados na casa mais vigiada do país. Desde 2020, foram banidos de vez”, argumenta.

Ainda na opinião do jornalista, trata-se de um “estímulo claro contra a cultura, priorizando a aparência”. “Se, por um lado, vigora a regra positiva de não usar redes sociais, num momento detox off-line, por outro, elimina-se junto o alimento intelectual. Em cem dias de reclusão numa residência paradisíaca, 26 integrantes não tocam em nenhuma obra. Como se fosse uma droga antissocial, que inibe a interação e induz o isolamento reflexivo”.

No decorrer do texto, Carpinejar fala que o local possui uma decoração inspirada em contos de fadas, com um “complexo televisivo que apresenta um oásis de atletas, modelos e celebridades”, porém, não os incentiva a pensar, a não se emocionar e a não adotar o nosso infindável acervo de narradores e poetas”, opina.

O jornalista também cita exemplo de um e filme, onde os livros acabam proibidos por um regime totalitário, incinerados por uma brigada de bombeiros, sob o argumento de que fazem as pessoas infelizes e improdutivas.

“É o exemplo que o programa com maior audiência da pretende oferecer: você não precisa ler. Ler é secundário. Ler é um ato insignificante. Quem não lê se habilita a se dar bem na carreira e ganhar um prêmio em torno de 3 milhões de reais…”

“Não falta academia, não falta piscina, não falta salão de jogos no lar cenográfico, mas não existe uma única biblioteca. Não existe uma única cabeceira da cama ocupada por uma pilha colorida de títulos. É permitido se manter isolado numa esteira ou num aparelho de ginástica por horas a fio, sem conversar com ninguém, porém não é possível ocupar o mesmo tempo com leitura no quarto ou numa rede”, diz.

Perde-se uma chance rara de motivar o público

Ainda na opinião do jornalista, a proibição dos livros é uma perda rara, onde os escritores pouco conhecidos e talentosos poderiam estar em best-sellers – como ocorreu quando Wanessa Camargo indicou a “Sociedade do Espetáculo”, do francês Guy Debord. Por causa disso, as busca pelo exemplar e até por resumos tiveram um pico, conforme informações divulgadas pelo Google Trends.

“Com o emprego adequado dessa vitrine, melhoraríamos os índices de venda das livrarias e encheríamos a estante do espectador com esperanças de ideias e lições de vida”, argumentou Carpinejar.

Segundo pesquisa do Instituto Pró-Livro, Retratos da Leitura no Brasil, de 2020, o país teve uma queda de 4,6 milhões de leitores entre 2015 e 2019. O brasileiro costuma ler somente cerca de cinco livros por ano, sendo que a metade deles é folheada em parte, enquanto o canadense lê doze livros por ano.

O coloca na berlinda uma juventude obcecada pelo porte físico, uma geração intermitente de adrenalina, que só anseia pela próxima festa. Não beneficia a qualidade da escuta, a envergadura das histórias, o amparo psicológico que o conhecimento garante. A escola, os professores, a formação acadêmica não pesam em nada no currículo, pois o interesse exclusivo é pelos números de seguidores nas contas virtuais.

Sem 50+ entre os participantes

Outra questão levantada por Fabrício é que não há nenhum representante das faixas de cinquenta, sessenta e setenta anos entre os concorrentes. A maturidade e a velhice também são discriminadas no reality, o que culmina em etarismo.

Abre-se ainda um perigoso espaço para a coisificação da mulher e a entronização do desejo machista por um tipo perfeito, jovial e anoréxico.

Sinto falta de lampejos de empatia, altruísmo e reconhecimento das diferenças que a literatura é capaz de fornecer em doses diárias.

Como alertava o nosso poeta Mario Quintana, “os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem”, finaliza o texto publicado no Jornal Zero Hora.

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