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Lágrimas e a realização de um sonho: uma casa construída a cada moeda

Uma simples pergunta e uma surpresa. “O senhor tem um sonho?” Perguntei ao guardador de carros Argemiro Francisco de Paula, de 69 anos. Ele iniciou uma resposta, que foi interrompida por um choro copioso. O que o emocionou tanto foi o fato de ter conseguido construir uma casa para ele, a esposa e seus 5 […]

Tatiana Marin Publicado em 06/09/2018, às 09h42 - Atualizado às 09h46

Lágrimas copiosas diante da pergunta "o senhor tem um sonho?"
Lágrimas copiosas diante da pergunta "o senhor tem um sonho?" - Lágrimas copiosas diante da pergunta "o senhor tem um sonho?"
Lágrimas e a realização de um sonho: uma casa construída a cada moeda
Foto: Minamar Junior

Uma simples pergunta e uma surpresa. “O senhor tem um sonho?” Perguntei ao guardador de carros Argemiro Francisco de Paula, de 69 anos. Ele iniciou uma resposta, que foi interrompida por um choro copioso.

O que o emocionou tanto foi o fato de ter conseguido construir uma casa para ele, a esposa e seus 5 filhos. “Morava em uma casa de tábuas, de duas peças. Depois fui construindo uma casa com 5 peças”, contou ele entre lágrimas. Hoje somente o caçula mora com ele, mas os outros vão sempre visitar. “Eles são a minha alegria”, fala dos filhos.

A casa começou a ser construída em 1995, alguns anos depois de ter começado a trabalhar como guardador de carros em frente a um clube de Campo Grande. Cuidar dos automóveis foi a alternativa para um homem que, aos 42 anos, já não era aceito para trabalhar como servente de pedreiro.

Lágrimas e a realização de um sonho: uma casa construída a cada moeda
Foto: Minamar Junior

Uma casa de 5 peças no Jardim Nhanhá, que ainda necessita de reboco, é o sonho realizado – ou em construção – de seu Argemiro e a causa de tamanha emoção. Simples assim. Uma casa construída de moeda em moeda, de Real em Real, por meio de uma atividade que normalmente os motoristas não dão valor e às vezes até se incomodam. 

Lágrimas e a realização de um sonho: uma casa construída a cada moeda
Foto: Minamar Junior

“Dá para sobreviver”

O guardador não revela quanto recebe, mas diz que “dá para sobreviver”. Mas conta que em noites ruins, vai para casa com apenas R$ 60,00. Ele trabalha às quartas, sábados e domingos, quando há eventos no clube. Alguns filhos e um ex-genro trabalham com ele no local. No tempo restante trabalha na construção da sua casa.

Nestes 27 anos, seu Argemiro já conhece os baileiros, que até pedem para guardar vagas. Nas quartas-feiras e domingos seus clientes se constituem de idosos que participam dos bailes. Ele conta que todos vão muito bem arrumados, até porque o clube não permite a entrada com trajes como camisas de manga curta. Já aos sábados, quando é realizado o Flashback, o público é mais jovem. “Eles vêm até de bermuda”, detalha. 

Os planos? Continuar com o ofício que consolidou em todos estes anos e terminar a casa. “Peço para Deus que essa casa, se por acaso Deus me levar, vai ser para os meus filhos.”

Lágrimas e a realização de um sonho: uma casa construída a cada moeda
Foto: Minamar Junior

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