Muitas ruas e estradas de Londres possuem números, e visitar o continente europeu é algo chique para muitas pessoas. Pensando nisso é que, dentre diversas lendas urbanas que povoam os moradores do bairro Nova Campo Grande, uma delas é de que as ruas são inspiradas na capital da Inglaterra e que a intenção era ser o bairro mais nobre de Campo Grande. Assim, mansões foram construídas, dando o “start” no projeto, que não deu certo, mas ficaram os casarões, os quais ocupam quadras, tamanho suficiente para cerca de 20 casas populares, conforme, ainda, quem vive na região.
Morador há décadas, Ismael Ribeiro Cândido, de 60 anos, conta que já ouviu muitas histórias sobre “a casa branca e a casa amarela”. “Sempre falaram que ali foi a sede de uma fazenda, que pertencia ao finado Lúdio Martins Coelho [agropecuarista, ex-prefeito de Campo Grande e senador estadual]. Falam que a casa branca era dele e, ao lado, fez um complexo para o filho, o Ludinho, como chamavam. E aí aqui era para se tornar um bairro nobre”, comentou.
Projeto de bairro nobre não vingou por questões estruturais, comenta morador antigo






No entanto, Ismael conta que o projeto não ocorreu devido a questões de saneamento e alagamento, entre outros problemas. “Aqui minava muita água e, no decorrer do tempo, a população foi diminuindo, ainda mais quem era da classe alta, daí ficou só o pessoal que não tinha condições de ir para outro lugar. E estas casas que ficaram foram se deteriorando”, comentou.
Mesmo morando na frente das mansões, o idoso fala que não tem qualquer contato com moradores. “É difícil a gente ver alguém, mas as mansões acabaram se tornando uma referência no nosso bairro. No meu caso, presto serviços, então, já fui chamado algumas vezes para ir na casa amarela. É um imóvel bom, Bonito e estruturado, mas é o que disse, virou referência. Aqui é um lugar bom. Minha filha tem 22 anos, nasceu aqui, criei ela aqui. Gosto do bairro, só a estrutura mesmo que estão pecando”, lamentou.
O vendedor autônomo Givanildo de Jesus, de 48 anos, mudou-se há três anos para o Nova Campo Grande. Mesmo sendo recente, já ouviu histórias sobre as mansões. Segundo ele, são muito extensas, de tamanho suficiente para a construção de cerca de 20 casas populares.
“Os mais velhos sempre contam histórias, de como ele chegou aqui e tudo mais. Como eu moro perto, só vejo uma movimentação de pessoas, porém, às vezes, somente gente entrando e saindo. Até que era um repouso de idosos ali atualmente, já ouvi falar”, argumentou.
Dono de bar foi presenteado com quadros que decoravam uma das mansões



Já Jeová Pereira, de 60 anos, conhecido como “Ratinho”, mora no bairro há 25 anos e, inclusive, foi presenteado com quadros que eram das mansões, conforme contou ao Jornal Midiamax. Segundo ele, em uma negociação, o dono levou alguns pertences, mas o presenteou com quadros que seriam de um artista de Bonito.
“O pessoal fala muita coisa, só sei dizer que era do pessoal que, praticamente, fundou Campo Grande. Mas eles se foram, e o patrimônio está aí. E virou referência, é até engraçado. A pessoa fala: ‘Moro no Nova Campo Grande, perto do aeroporto. Ah tá, mas onde? Perto das mansões’. Mas na casa amarela tem morador, tenho certeza, ele nos cumprimenta de vez em quando”, finalizou.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)