O momento é de muita alegria para a família de Carlo Acutis, beato que será elevado à condição de santo pelo Papa Francisco no próximo dia 27 de abril. E, entre os planos da mãe do jovem, dona Antonia Acutis, está uma viagem ao Brasil para conhecer a capela de Campo Grande (MS) onde o filho fez o primeiro milagre reconhecido pelo Vaticano.
É o que revela o padre Marcelo Tenório em conversa com o Jornal Midiamax. Regente da igreja localizada na Vila Margarida, o sacerdote conta ter ficado muito próximo à família de Carlo por ter sido o grande responsável pela divulgação do nome e da santidade do rapaz para o mundo – resultando na canonização marcada para o final deste mês.
Conforme o religioso da Capela Nossa Senhora Aparecida, mais conhecida como “capela do milagre”, dona Antonia já lhe confidenciou o desejo de visitar não apenas Campo Grande, mas também a cidade de Aparecida do Norte, em São Paulo. Contudo, aguarda o casal de filhos adolescentes, nascidos após a morte do primogênito, ficarem maiores para cruzar o Oceano Atlântico.
“Ela certa vez me falou que está esperando os meninos crescerem, porque quer vir aqui e à Aparecida”, relata Tenório.

Relação do padre de Campo Grande com a família de Carlo Acutis
O elo entre Marcelo e os Acutis se deu de maneira espontânea. Tudo começou em 2011, quando o padre recebeu um artigo escrito em italiano que contava a história do jovem Carlo. O garoto morreu em 12 de outubro de 2006 em Assis, na Itália, aos 15 anos de idade, em decorrência de uma leucemia, e ficou marcado para grupos da comunidade católica da região pelas contribuições com a Igreja.
Ao ter conhecimento da breve trajetória do adolescente que dedicou a maior parte de sua vida a divulgar a palavra de Deus por meio da internet, padre Marcelo se sentiu tocado e achou que mais pessoas deveriam conhecer o menino. Ele então enviou um e-mail para a associação Carlo Acutis e quem respondeu foi dona Antonia, dando início a uma amizade que perdura até os dias de hoje.
“Foi bem rápido, italiano é muito próximo da gente. Assim que eu entrei em contato, a mãe dele gostou muito da ideia de fazer essa divulgação aqui no Brasil. E só tinha eu mesmo, então criei um grande vínculo com a família e ia sempre lá. Estava sempre com eles, com os irmãos de Carlo também”, pontua.
Depois que a relação foi estabelecida, toda vez que ia a Assis Tenório encontrava o clã. “Era almoço, janta e passeios com dona Antonia. Ela é uma mãe italiana, muito expansiva, muito agradável, conversa bastante, então a gente brinca muito. O pai do Carlo, o sr Andreas, é uma pessoa maravilhosa, um homem que disciplina os filhos”, detalhe o padre.

Fortalecendo os laços: mãe de Carlo Acutis e padre foram a túmulo para produzir relíquias
A acolhida quase imediata dos brasileiros ao adolescente italiano foi instantânea e ajudou a fortalecer os laços entre o sacerdote e os pais do beato. “De repente, eu me tornei próximo da família. Certa vez eu fui e visitei à casa onde o Carlo morava. Na ocasião, dona Antonia artesanalmente cortou um pedaço de uma camisa dele e me deu a relíquia. Coloquei no relicário, mas como não era venerável ainda, não podia ficar exposta. E era com essa relíquia que a gente dava bênção todo dia 12 de outubro” – data da padroeira da capela e da morte de Carlo Acutis.
Foi por meio dessa relíquia que o primeiro milagre de Carlo aconteceu em Campo Grande, no dia 12 de outubro de 2013, na Capela Nossa Senhora Aparecida. Além do pedaço da camisa, dona Antonia também deu fios do cabelo de filho para Marcelo, que confeccionou o relicário.
Quando o menino Matheus Viana tocou no artefato, foi curado de uma grave doença no pâncreas. Somente seis anos depois, em 2019, após um longo processo, o milagre atribuído a Acutis foi reconhecido pelo Vaticano. Hoje, o pedaço do tecido não está mais na capela, pois Marcelo doou a peça para um padre de Pernambuco. No entanto, o local abriga uma outra relíquia de primeiro grau: um fragmento do coração de Carlo.

Marcelo explica que igreja reconhece três níveis de relíquia de um santo ou beato. São elas: as de 1º grau, com alguma parte do corpo, as de 2º grau, com algo que tocou no corpo e as de 3º grau, com algo que estava próximo ao corpo.
“As primeiras relíquias de terceiro grau também começaram aqui. Fomos no túmulo de Carlo dona Antonia e eu, colocamos um rolo de linho por cima e ali rezamos. Depois, cortamos pedaços pequenos, colocamos a imagem do Carlo, plastificamos e mandamos para todo o Brasil. Quando abre o formulário para fazer pedidos, em dois dias já acaba. Aqui não tenho nada porque vai tudo pelos Correios”, comenta.

Mãe de Carlo já quis ajudar capela, mas padre não aceitou
O padre conta que, até pela proximidade, a mãe de Carlo já quis dar uma contribuição financeira à capela do milagre, mas ele recusou. “As vezes as pessoas pensam que a família dele na Itália, dona Antonia, me ajuda, porque são extremamente ricos. Já me ofereceram, mas eu nunca quis aceitar porque não quero que pensem que estamos fazendo isso por dinheiro. Ela foi muito generosa”, afirma.
Sobre a inexplicável relação do italiano com os brasileiros, Marcelo traz à tona o que dona Antonia teria dito e o que ele também pensa a respeito. “Ela já falou que considera um mistério essa história do Carlo com o Brasil. Já eu, se não fosse o Brasil, acredito que o Carlo estaria no anonimato”, salienta.
O último encontro do padre Marcelo com os pais do beato aconteceu em 2019, na época da exumação do corpo de Carlo Acutis, mas a comunicação continua – tanto que dona Antonia enviou uma roupa do filho para a capela do milagre. A nova peça, relíquia de segundo grau, será exposta no templo ainda este mês.
Canonização de Carlo Acutis e a festa em Campo Grande
Para celebrar a canonização do beato que escolheu Campo Grande para realizar seu primeiro milagre, a comunidade onde tudo aconteceu prepara uma semana de festividades, a começar pela chegada da nova relíquia. No dia 27 de abril, data da canonização, a Paróquia São Sebastião, responsável pela Capela Nossa Senhora Aparecida, transmitirá a cerimônia para todos os fieis. Confira a programação completa clicando aqui.
A capela do milagre fica na Rua Ismael Silva, número 10, Vila Margarida, em Campo Grande (MS).
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