Dois meses depois da morte de Ney Latorraca, o inventário do ator foi aberto e corroborou com declarações que o artista deu em vida, afirmando que deixaria parte de sua herança para uma instituição de Campo Grande (MS). Apesar da abertura do documento, a entidade campo-grandense citada afirma não ter sido informada a respeito da relação de bens doados pelo artista.
Conforme o colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, o documento diz que o Leprosário Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, vai herdar um apartamento na Zona Sul do Rio de Janeiro, além das cotas da empresa Latorraca Produções Artísticas Ltda.
Leprosário Campo Grande era o nome do atual Hospital São Julião quando Ney Latorraca visitou a instituição e conheceu o trabalho desenvolvido no tratamento da hanseníase, há mais de 30 anos.
A informação sobre a doação foi recebida com alegria pelo Hospital. No entanto, a entidade diz não ter como comentar o assunto, pois não foi notificada de forma oficial sobre o direito à herança.

Para que os desejos de Ney Latorraca sejam cumpridos, de acordo com Ancelmo Gois, a abertura do inventário foi feita pelo viúvo do artista, o ator Edi Botelho, junto à 5ª Vara de Órfãos e Sucessões do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.
Representante do inventário, é ele ou algum advogado que o represente quem deve comunicar o São Julião sobre a doação. Enquanto isso não acontece, a instituição segue na expectativa de ser agraciada pela benfeitoria do ator, que morreu no dia 26 de dezembro de 2024, aos 80 anos, em decorrência de uma sepse pulmonar, uma infecção grave nos pulmões.
Detalhes sobre a herança para a instituição de Campo Grande e outras entidades
Segundo o Jornal O Globo, o apartamento deixado para o leprosário sul-mato-grossense fica na Rua Jardim Botânico, no bairro homônimo, na capital do Rio de Janeiro. O valor médio de um apartamento no local varia entre R$ 900.000 (novecentos mil reais) para um imóvel de dois quartos e R$ 3.000.000 (três milhões de reais), dependendo do tamanho e do número de aposentos.
Além do Hospital São Julião, o inventário confirmou que Ney Latorraca deixou três apartamentos em São Paulo para o Grupo de Apoio à Prevenção à AIDS. A ABBR (Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação) também teria sido beneficiada com uma casa em Miguel Pereira, cidade no Rio de Janeiro, e um apartamento no Posto 6, em Copacabana.
Para o Retiro dos Artistas, o ator teria deixado todo valor de sua conta poupança e os fundos de investimentos. Já seu viúvo, Edi Botelho, herdou um automóvel, móveis, joias, objetos pessoais do marido e linhas telefônicas.

Por que Ney Latorraca deixou herança para hospital de Campo Grande?
A relação de Ney Latorraca com a cidade de Campo Grande se deu porque a mãe do veterano viveu boa parte da vida na Capital sul-mato-grossense. Há algumas décadas, por alguma razão, ele se interessou pela causa da hanseníase no Brasil e o município onde sua matriarca morava tinha um hospital de referência nacional no tratamento da doença.
Na década de 90, o artista teria dito a pessoas próximas em Campo Grande que tinha interesse em deixar parte de sua herança para a instituição, chamada de Leprosário. Na época, o boato chegou até o hospital e a então diretora executiva irmã Silvia escreveu uma cara para Latorraca falando sobre o assunto. Contudo, até hoje, ninguém sabe se o ator recebeu o recado da religiosa.
Anos depois, em 2020, em entrevista à Veja Rio, Ney declarou que doaria seus bens para instituições de caridade, citando a entidade campo-grandense.
“Um [apartamento] vai para a ABBR (Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação), o outro para o Retiro dos Artistas. Os outros 2, um fica para o Grupo de Apoio às Crianças com Aids, de Santos, e mais 1 para um grupo dedicado às vítimas da hanseníase. Está tudo no meu testamento. Fiz questão”, declarou na época.
Agora, a abertura do inventário prova que, quando deu a entrevista, Ney já tinha o testamento pronto e cumpriu com sua palavra, pois a relação de bens doados divulgada pela coluna do O Globo “casa” perfeitamente com o que o artista havia afirmado.
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