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Vitoriosa em processo de injúria após 10 anos, radialista de MS luta por delegacia especializada para negros

Jornal Midiamax abre espaço para uma pessoa que se considera feliz, porém, carrega duras feridas por sentir o racismo na pele
Graziela Rezende -
(Marinalva Pereira/Arquivo Pessoal)

A luta por uma delegacia especializada em crimes racias tem oito anos. Mas, muito antes, desde a infância ao certo, Marinalva Pereira, de 60 anos, é símbolo de enfrentamento ao . Nesta quarta-feira (20), Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, feriado nacional, o Jornal Midiamax abre espaço para uma pessoa que se considera feliz, porém, carrega duras feridas por sentir o racismo na pele e, por isso, ressalta a intenção de ainda ver, em , uma unidade da Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância).

“Eu sei bem o que é o racismo, a injúria racial e a intolerância racial e religiosa. Sofri um caso dentro do local de trabalho, com um empresário. Ele não é de Campo Grande, veio de outro estado e o processo está em tramitação na Justiça. Eu ganhei a causa, foi algo lamentável dentro do ambiente de trabalho, onde uma equipe estava corrigindo erros e eu, como diretora comercial na época, relatei tudo e me mandaram embora. No entanto, na minha ausência, me humilharam com palavras racistas, pejorativas, e fui comunidade a respeito”, diz Marinalva.

Segundo Marinalva, que logo registrou queixa, foram 10 anos enfrentando o processo criminal. “Fui na delegacia. Ninguém recorreu e eu ganhei em todas as instâncias, estou aguardando o recebimento. Penso em fazer algo social, algo relacionado ao trabalho que eu já faço e que ajude mulheres em vulnerabilidade. Isto tudo sempre me fez reletir, vejo que as pessoas não suportam que a gente possa ter um cargo melhor”, opinou.

‘Parece que você tem que estar na senzaça’, lamenta Pereira

(Marinalva Pereira/Arquivo Pessoal)

Radialista e apresentadora, Marinalva ressalta que “as pessoas não conseguem assimilar que o negro pode ser um doutor, e também pode estar em uma posição como diretor de um órgão respeitado, por exemplo. “Nós sofremos todos os dias. Estes dias eu fui convidada para fazer um desfile, aquela coisa toda, e vi pessoas olhando como fosse algo do outro mundo, não. Parece que você tem que estar na senzala, na cozinha, lavando calçada, então, eu sofro, desde criança o negro sofre”, opinou.

Conforme Marinalva, a infância também tem tristes memórias. “Eu lembro que faziam grupos de estudo e tinha eu e mais negros na sala. Nós sempre éramos escolhidos pelos , porque ninguém escolhia a gente, não chamavam, então, sempre foi assim”, relembrou.

Delegacia especializada: ‘Só lá vão nos entender’

Autora de um projeto que que tramitou na Câmara Municipal, criando uma Secretaria da Igualdade Racial para delitos raciais e de intolerância. “Fiz um pedido e essa secretaria virou lei, está na gaveta da prefeitura. E hoje temos só um órgão que nos representa, a subsecretaria da igualdade racial, onde tem uma ramificação da igualdade racial. E também luto por uma delegacia especializada, acho que só lá vão entender o problema das pessoas que sofrem intolerância”, argumentou.

Por fim, Marinalva fala que continuará feliz, corajosa e enfrentando o mundo de cabeça erguida. “Tenho um irmão que é negro, respeitado em Campo Grande e não é só porque somos doutores, que a gente tem que ser respeitado. Temos que ser respeitados em qualquer segmento, isso desde que a gente nasce, temos que ser respeitados como ser humano igual aos outros”, finalizou.

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