Usurpadora? Uma onça-pintada “subterrânea” se apropriou de enorme toca construída por um tatu-canastra para fugir das altas temperaturas. Inédito, o registro da natureza foi capturado por armadilhas fotográficas espalhadas pelo cerrado brasileiro, através de um estudo conduzido pela ONG Onçafari e pelo Projeto Tatu-Canastra, que também atuam em Mato Grosso do Sul.
Conforme a pesquisa, esta é a primeira vez na história que uma onça-pintada foi flagrada utilizando o buraco de um tatu como refúgio térmico. Por isso, a felina em questão recebeu a alcunha de “subterrânea” – já que se abrigou debaixo da terra em busca de um clima mais fresco.
Como não é boba nem nada, a onça filmada pela pesquisa se aproveitou da engenhoca feita por um um animal tão inteligente quanto ela. Isso porque, de acordo com o Onçafari, os tatus são conhecidos como verdadeiros engenheiros do meio ambiente, capazes de fazer as mais complexas construções abaixo do solo.

Esses animais constroem grandes tocas que mantêm a temperatura constante de 24ºC, o que faz com que os buracos bem estruturados funcionem como uma espécie de ar-condicionado natural, fornecendo abrigo e um clima mais fresco para mais de 100 espécies.
Em meio ao calor que assola o Brasil nos últimos meses, encontrar uma toca fresca para se abrigar “é ouro” e a onça não teve nenhum pudor ao usar o buraco do amiguinho. Ela foi observada se aproveitando do recinto por longos períodos durante o calor extremo. E o tatu, coitado, ficou sem casa.


“Essa descoberta destaca a importância dessas tocas na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, criando um microclima mais ameno e protegendo diversas espécies. O tatu-canastra, conhecido como ‘engenheiro ecológico’, desempenha um papel essencial não apenas na conservação do Cerrado, mas de todo o ecossistema”, pontua a ONG ao divulgar o registro.
Cabe ressaltar que, segundo o Onçafari, as onças apresentam diferentes comportamentos para se proteger do calor excessivo e buscar por conforto térmico, como a busca por locais sombreados.
O estudo, realizado em parceria com o Instituto de Conservação de Animais Silvestres (Icas), registrou o flagrante inédito no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no cerrado de Minas Gerais.
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