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Tanque escondido abaixo da escada abriga animal secreto em Bioparque: ‘veio do circo’

Câmara secreta? Animal que veio do circo vive no meio de todos e ninguém o vê. Espécie está há um ano no Bioparque esperando seu momento de aparecer em púbico
João Ramos -
animal bioparque jiboia rachel
Descubra qual o animal secreto escondido por Bioparque - (Foto: Alicce Rodrigues, Jornal Midiamax)

CONFIDENCIAL. Abaixo da escada, no centro do saguão principal, um tanque sigiloso coberto por tapumes esconde um novo animal no Bioparque Pantanal. Há três meses, o recinto abriga uma espécie “secreta” resgatada de um circo, que será apresentada ao público nesta terça-feira (5) após o período de adaptação.

Desde dezembro, os visitantes mais atentos já notam que há algo oculto no local e especulam sobre o que de fato há dentro da imensa caixa preta abaixo das escadas.

Isso até lembra um famoso filme, não? Entretanto, diferente da saga , na qual um “Basilisco” vive nos tubos subterrâneos de encanamento da Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts, no Bioparque a novidade habita apenas o recinto oculto e não é um mostro. Muito pelo contrário!

A partir desta terça-feira (5), os tapumes deixarão a cena e todos poderão conhecer Rachel, a mais nova cobra do complexo de animais. Ela é uma jiboia de aproximadamente 2 anos de idade, com 2,5 metros de comprimento e pesa 5,5kg. Mais sociável e “muito dócil”, a serpente deve ofuscar a sucuri-verde Gaby Amarantos, até então considerada Rainha do Bioparque e única outra cobra do plantel.

Jiboia Rachel veio do circo

O Jornal Midiamax conheceu Rachel antes da inauguração de seu recinto. A reportagem visitou a cobra na última sexta-feira (1º) e apresenta com exclusividade a nova atração do local. De antemão, é plausível dizer que a jiboia tem muita história para contar.

Isso porque, para começo de conversa, Rachel veio do circo. Ela cresceu domesticada e era usada para apresentações. Até que, em março de 2023, a Polícia Militar Ambiental de (PMA-MS) multou o proprietário do espetáculo que, na época, estava instalado na cidade , localizada a 351 quilômetros de . Na ocasião, a jiboia foi apreendida pelos agentes.

“A Polícia Militar Ambiental fez a captura porque é proibida em lei a utilização de animais para fins circenses, e aí ela foi destinada para o Bioparque. Ficou só um dia com a PMA e já veio pra cá, onde recebeu todos os cuidados. Chegou muito dócil e quando os animais ficam muito domesticados, eles não podem voltar para a natureza. Aqui no Bioparque nós recebemos esses animais”, explica ao Jornal Midiamax a diretora-geral do Bioparque Pantanal, Maria Fernanda Balestieri.

Rachel, conforme Carla Kovalski, bióloga-chefe do Bioparque Pantanal, é uma jiboia amazônica e também por isso não pode ser inserida na fauna sul-mato-grossense. Ademais, apesar de viver em um circo, a cobra chegou ao Bioparque sem ferimentos ou sinais de maus tratos, apenas extremamente domesticada.

1 ano guardada, esperando seu momento de brilhar

A serpente está há um ano no complexo recebendo todos os cuidados necessários e só agora será exposta ao público como instrumento de educação ambiental. Sim, Rachel ficou guardada por todo esse tempo aguardando seu momento de brilhar no plantel do aquário.

Ela ganhou um recinto móvel só para ela, que, a princípio, ficará ali mesmo, abaixo das escadas. Mas, por ser um tanque com mobilidade, o local poderá ser trocado quando houver necessidade. “Pra poder colocar um animal num recinto em exposição temos que atender toda uma normativa, a gente tem que fazer todos os cuidados pra ver se o animal está com saúde… deixar ela apta pra poder vir para um ambiente de exposição”, diz a diretora-geral.

O tanque feito sob medida conta com uma mini-árvore e tem até cachoeira. “Existem pontos de fuga para que, quando ela quiser, sinta que não está sendo observada. Tem árvores, porque ela é um animal arborícola, e isso foi muito respeitado na hora de montar a composição. Também tem uma área úmida para que ela possa tomar água, se banhar… todo o recinto conta com vários pontos que vão atender as necessidades dela. Ponto de aquecimento, ponto de umidade… tudo isso é controlado diariamente, planilhado, e qualquer mínima variação a gente já entra pra tornar o ambiente o mais estável possível”, detalha a bióloga Carla Kovalski ao MidiaMAIS.

Veja o tanque de Rachel sendo montado pela equipe do Bioparque Pantanal:

Imagens mostram desde a chegada da jiboia ao Bioparque até a finalização de seu recinto

Por que a jiboia foi batizada com o nome Rachel?

Conforme a diretora-geral do Bioparque Pantanal, a jiboia recebeu o nome de Rachel em à Rachel Carson. “Uma ambientalista e ecologista norte-americana considerada mãe do ambientalismo. Foi precursora da educação ambiental. E como a jiboia está vindo pra cá pra fazer esse papel de educação ambiental, achamos por bem batizá-la com esse nome”, revela Maria Fernanda.

Questionada pela reportagem sobre outras possibilidades para a alcunha da cobra, Maria Fernanda conta que optou por não fazer enquetes nos moldes da escolha do nome da sucuri Gaby pelo fato de Rachel chegar ao complexo com um papel bem definido e representativo. A ideia, desde o início, foi dar à serpente o nome de alguém representou muito para o ativismo ecológico.

“Então ela já entra nesse contexto educativo de conscientização, trazendo informações para evitar questões de tráfico, matança desnecessária de jiboias e etc”, frisa a diretora.

Personalidade da cobra mudou em 12 meses

Convivendo com Rachel há 1 ano, a bióloga Carla Kovalski tem propriedade para falar da personalidade da jiboia. “Muito dócil, muito tranquila. Porém, nós enfatizamos que esses animais silvestres têm instintos. Mas ela tem se mostrado super dócil”, garante.

Do momento em que chegou até os dias atuais, houve alguma mudança no comportamento da serpente que era usada em apresentações de circo? A resposta é sim.

“No início, ela ficava bem mais acuada, desconfiada, porque não estava acostumada com a equipe de cuidadores. E aí agora, um ano depois, ela já consegue reconhecer os biólogos, já sabe quando o zootecnista entra para fazer a alimentação. Ela teve tantos estímulos mentais que já vemos alguns comportamentos naturais voltando, porque chegou bem domesticada. Em um ano acompanhando-a, tivemos resultados bem positivos”, relata Carla.

Tanque secreto

Pensando no bem-estar da serpente, o Bioparque iniciou a aclimatação, ou seja, adaptação de Rachel em um tanque, no mês de dezembro. Desde então, a jiboia está ali no meio de todos, sem ser vista, para que os profissionais responsáveis consigam observar suas reações.

“Isso foi extremamente importante para que ela se adaptasse ao recinto, explorasse todos os pontos. Para que a gente entendesse o que poderíamos melhorar e aperfeiçoar pra ela ter qualidade de vida e bem-estar”, comenta Carla Kovalski.

Chega de espera

E as expectativas para a inauguração, marcada para esta terça (5), são as melhores. A data foi escolhida porque marca o retorno das visitas escolares ao Bioparque Pantanal após o período de férias.

“Já está sendo uma atração mesmo antes da inauguração, porque as pessoas veem aqui o recinto com os tapumes e já ficam curiosas, perguntam. Então eu acho que vai ser uma super atração. Todo mundo que vem aqui procura a Gaby e agora tem outra serpente. Acho que aqui vai ser um sucesso. A jiboia tem um comportamento mais ativo que a sucuri, então vão conseguir observar melhor a espécie”, encerra a bióloga.

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