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“Vida de Inseto”: música faz manifesto pelos trabalhadores ‘apagados’ em MS

A música será lançada no próximo sábado (7) nas plataformas digitais

Nathália Rabelo Publicado em 04/08/2021, às 15h50

Música "Vida de Inseto"
Música "Vida de Inseto" - Foto: Divulgação

O ator e cantor de rap, Tero Queiroz, de Campo Grande, vai lançar no próximo sábado, dia 7 de agosto, o single “Vida de Inseto”, música que faz um manifesto pelos trabalhadores em geral, usando como analogia a situação a que são submetidos os entregadores de comida.

“É que assim, cara, é muito trabalho e pouquíssimo dinheiro e o pessoal segue sorrindo, de pé, lutando, saca? Isso aí é coisa de gente forte, gente que não teme o cotidiano e essa gente ainda consegue, no final do dia, tirar um tempo para fazer uma coisa que gosta é de arrepiar... os entregadores de comida resumem o que tento dizer”, introduz o artista na canção.

O artista lançou a música “Chinelo de Dedo” em 2020 e, agora, promove o novo trabalho nas principais plataformas digitais. “Vida de Inseto”, segundo o rapper, é mais comercial e menos densa, mas não deixa de lado a crítica ao sistema.

“A gente critica como o povo é maltratado pelos poderosos, o trem é clichê, mas a gente vai falar até que respeitem o povo trabalhador. Os poderosos lá se lambuzando e o trabalhador contando moedas para o arroz, não dá, não dá! 'Vida de Inseto' convida o povo não somente para reflexão, mas para se mexer, sair dessa agoniante estagnação que está posta”, destaca.

Guerreiros Apagados

A música faz menção a guerreiros de luta que obtiveram êxito em suas investidas contra o sistema. O caso de Zacimba Gaba: uma princesa guerreira do reino de Cabinda, em Angola, na África, que capturada por portugueses foi trazida ao Brasil e vendida ao fazendeiro português José Trancoso, no Espírito Santo, onde foi estuprada e torturada ao longo de anos, mas não abaixou a cabeça.

Ao longo de anos, usou pequenas doses de um veneno até matar o fazendeiro e assim liderou uma revolta que levou à liberdade de todos nas fazendas das regiões que ela dominava.

Zacimba fundou um quilombo norte do Espírito Santo, hoje município de Itaúnas. Livre, ela continuou o levante constante contra os opressores e liderou ataques a navios negreiros vindos de Portugal, até ser morta em um deles.

“A história de Zacimba me faz pensar em Mato Grosso do Sul, que nunca deu terras ao povo trabalhador negro que foi escravizado aqui. Eles alegam que não houve registros de que ocorreu escravidão no Mato Grosso do Sul. Aqui, muitos e muitos negros morreram escravizados em fazendas, cuidando de gado e nunca ninguém quis que a história de povo fosse lembrada, eles tentam apagar, assim como a história de Zacimba. Mato Grosso do Sul deve muito ao povo negro que trabalhou para fazer existir essas centenas de fazendas de brancos”, diz Tero. 

Outro lendário trabalhador lembrado na música, segundo o cantor, é Benedito Meia-Légua (Benedito Caravelas), que deu origem ao dito popular “Mas será o Benedito?” Isso porque o homem não somente lutou contra escravidão, como também inspirou milhares a se disfarçarem de sua persona. “O Meia-Légua é o convite da pólvora, sabe? Ele não ficou esperando nada e nem ninguém que te dissesse o que ele deveria ser, ele foi e é uma das figuras mais impressionantes que tentam apagar dos livros e da narrativa escravagista do Brasil, país que se levantou e se fez nação com o suor do negro, pobre, que até hoje são maioria a subir numa moto e entregar comida nas casas para metaforicamente ‘alimentar os gafanhotos’”, completou o cantor.

Para contrastar-se a realidade atual de social e política vivida pelos trabalhadores, o artista lembra episódios e levantes sociais anteriores.

Produção

A letra da música foi escrita em parceria com o cantor e compositor Nando Dutra (gênero pop). “Eu peguei essa letra com refrão e coral feito pelo Nando e pelo Walter... alguns trechos da letra me soavam meio vazios ainda, o que fiz, além de interpretar isso, foi trazer um conteúdo a mais para a letra e dar maior sentido para aquela convocação e às figuras que apresentei na letra são justamente os guerreiros que nos inspiram a guerrear”, finalizou o Tero.

A instrumentação foi composta por Walter Correa, Bruno Piva e Lobo Bassman. A Produção Mix e Master é da Condado Produções, de Campo Grande. “Vida de Inseto” estará em todas as plataformas digitais a partir do dia 7 de agosto.

O artista disponibiliza a prévia ao ouvinte na biografia do @teroqueiroz, no Instagram. No Spotify basta buscar pelo nome “Tero Queiroz” e ouvir os lançamentos. 

Jornal Midiamax