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Jorge Caceres: o músico de Campo Grande que passou de aluno a maestro em projeto social

Músico começou a tocar violão aos 13 anos no projeto social e atualmente ocupa o cargo de maestro no espaço

Nathália Rabelo Publicado em 09/04/2021, às 10h04

Maestro Jorge Priésley Caceres de Cunha
Maestro Jorge Priésley Caceres de Cunha - (Foto: Arquivo Pessoal)

Jorge Caceres tinha apenas 13 anos quando teve seu primeiro contato com a música através de um projeto social, em Campo Grande. O que parecia ser uma realidade distante no início da sua adolescência, o garoto cresceu em um espaço que desenvolvia suas habilidades e o tornava cada vez mais apaixonado pelo universo sinfônico. Agora, aos 25 anos, Jorge deixou de ser aluno e virou professor e maestro do mesmo grupo, levando seus conhecimentos à nova geração de músicos campo-grandenses.

Essa jornada começou em 2008, na ONG (Organização Não Governamental) do Grupo de Incentivo a Cidadania e Qualidade de Vida – Viver Bem, projeto atuante na região do Nova Lima. Lá, crianças e adolescentes têm a oportunidade de fazer aulas artísticas e culturais sem custo algum, como dança e música.

De acordo com Jorge, ele tinha vontade de aprender a tocar alguns instrumentos, mas o sonho parecia muito distante. Então ele recebeu um convite para conhecer o projeto, onde descobriu sua paixão e integrou a orquestra.

“A orquestra Viver Bem é o resultado das aulas. Os alunos aprendem durante o ano todo, estudando técnicas e repertório. Ao fim de cada ano acontece um espetáculo, onde todos os alunos se apresentam em seus respectivos instrumentos formando assim uma grande orquestra. Na minha primeira apresentação quase não me contive de tanta alegria, foi algo realmente maravilhoso”, relembrou o músico.

Maestro com adolescentes e jovens que participam do Projeto Viver Bem (Foto: Arquivo Pessoal)

Jorge começou a aprender violão e desde então conquistou vários títulos para a sua carreira: 2° lugar na Modalidade Solista Violão, juvenil, no Prêmio Campo Grande de Música de Concerto de 2011; entrou para a Orquestra Sinfônica Municipal de Campo Grande em 2012 e ganhou o 1º lugar na categoria Solo do Primeiro Concurso de Violão – Arte Viva, em 2013.

“Hoje, graças as oportunidades que me foram apresentadas, somadas a força de vontade e a demanda de trabalho, toco diversos instrumentos”, e nessa lista entram: violão, viola caipira, contrabaixo acústico, violoncelo, teclado, percussão, contrabaixo elétrico, piano, ukulele, cavaquinho, guitarra, bateria, flauta doce e violino.

Depois de muitos anos de dedicação e com a certeza de que iria seguir essa carreira, Jorge terminou o ensino médio, prestou o vestibular e passou no curso de música da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Hoje em dia, Jorge toca vários instrumentos (Foto: Arquivo Pessoal)

Sinfonia entre amores

E não foi apenas o amor pela música que Jorge encontrou no Viver Bem. Ele também conheceu a esposa, Camila Gabriela, quando ela começou a fazer aulas de viola clássica no projeto em 2015.

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Jorge e a esposa Camila Gabriela campartilham o amor pela música (Foto: Arquivo Pessoal)

Nessa época, o maestro já dava aulas de música e auxiliava o professor Jardel Vinícius nos ensaios dos instrumentos de corda. O casal oficializou o casamento em 2019 e nesse período já desenvolviam diversos trabalhos musicais em vários projetos sociais de Campo Grande.

Como atual maestro da orquestra Viver Bem, Jorge recorda com orgulho a trajetória que o levou até esse momento.

“Hoje, estando a frente deste trabalho, me sinto muito feliz e realizado, pois posso passar adiante tudo aquilo que aprendi e que tanto me fez bem, tendo em vista que não há nada mais gratificante do que compartir com o próximo aquilo que recebemos e saber que isso pode transformar a história de muitas pessoas”.

Orgulho da família

Jorge também contou ao Midiamax que os pais ficaram preocupados quando ele começou a desenvolver paixão pela música, pois tinham receio de como seria o futuro profissional do filho. Conforme o tempo foi passando e o músico se destacava cada vez mais no cenário regional, a premissa de que “música não dá futuro” caiu por terra.

Desde então, a família é sua principal apoiadora para que ele conquiste todos os sonhos.

“A música transformou completamente minha vida, pois não faço ideia do que estaria fazendo agora se não fosse por ela. Tenho uma dívida eterna com o Viver Bem por essa maravilhosa oportunidade e sobre a música em si, agradeço a Deus e aos mestres que me ensinaram essa arte”, finalizou o maestro. 

Você também pode conferir mais sobre o projeto social Viver Bem através das redes sociais.

Jornal Midiamax