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Nutricionista de Campo Grande opina sobre jejum de 7 dias de Mayra Cardi

De acordo com o nutricionista, a prática é muito prejudicial à saúde do corpo

Nathália Rabelo Publicado em 29/04/2021, às 15h17

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O nome de Mayra Cardi entrou novamente para um dos assuntos mais comentados do momento no Brasil, mas dessa vez não tem nada a ver com seu ex-marido Arthur Aguiar. A empresária e influenciadora fez um post no Instagram na quarta-feira (28) revelando que ficou sete dias em jejum – sem comer absolutamente nada – para encontrar maior conexão entre seu corpo e espírito.

Acontece que o seu método um tanto peculiar acabou gerando muitas críticas na Internet de pessoas que alegavam não se tratar de uma atitude saudável para o corpo. Além disso, ela também foi criticada por estar influenciando transtornos alimentares na mídia. Por isso, o Midiamax trouxe hoje o nutricionista Anderson Holsbach para dar a sua opinião sobre o jejum de 7 dias de Mayra Cardi e mostrar para as pessoas quais são as premissas dessa prática.

Anderson é presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Nutrição (ASMAN) e afirma que ficar sete dias sem comer é uma atitude extremamente danosa para a saúde do corpo, uma vez que pode desenvolver desidratação, carências nutricionais, fraquezas, confusão mental e outros sintomas nocivos à saúde.

Para ele, o fato de Mayra Cardi trazer essas práticas como algo saudável para a grande mídia é um ato irresponsável, antiético e imprudente. Principalmente porque, ao fim dos sete dias, a influenciadora exibiu a sua barriga magra para milhões de seguidores como um troféu a ser conquistado através de um método não aconselhável, ainda mais trazendo discursos que não condiziam com as suas atitudes.

“Esse corpo esguio e extremamente magro que essa influencer tenta colocar como o adequado, via medidas não saudáveis, medidas inadequadas, podem gerar muito mais impacto para quem já tem dificuldades em lidar com a comida”, explicou o nutricionista.

Outro apontamento feito por Anderson é que, por conta da visibilidade de Mayra, ela tem o poder de influenciar pessoas a terem a mesma atitude que ela e reforçar comportamentos prejudiciais, como transtorno alimentares.

“Ela coloca o alimento como vilão, retira o alimento da dieta e chega ao objetivo, ao pódio, que é o emagrecimento. E ela ganha dinheiro com isso, então acaba pegando essas pessoas que são mais suscetíveis”, normalmente jovens que possuem uma imagem distorcida do próprio corpo.

Jejum intermitente

Conforme a Associação Brasileira de Nutrição (ASBRAN), o jejum intermitente é um padrão alimentar em que a pessoa se submete voluntariamente a períodos de privação alimentar, com reduzida ou nenhuma ingestão energética, intercalados por períodos de ingestão normal de alimentos e bebidas.

Anderson reforça que é uma prática que ainda divide muitas opiniões, uma vez que não pode ser feita por qualquer pessoa. Além disso, deve ter acompanhamento do profissional qualificado para que o jejum traga afeitos positivos e saudáveis ao organismo.

Questionado se é possível que Mayra Cardi realmente tenha ficado sete dias sem comer nada, Anderson diz que há divergências. Uma pessoa que tem uma privação alimentar tão longa, fica extremamente apática e com aspectos não saudáveis, o que – esteticamente – não ocorreu com a influencer.

Portanto, pela aparência, subentende-se que ela não ficou todos esses dias sem se alimentar. E, se sim, então a aparência que ela mostra na mídia pode não ser tão verdadeira assim. “Pra mim fica um pouco claro que isso está ligado a vender produtos e transformar isso em comércio”, opina Anderson Holsbach.

Jornal Midiamax